Santana Lopes: "A Aliança vai querer ganhar ao PS"

Líder do novo partido revela que informou Marcelo Rebelo de Sousa da saída do PSD e da criação da Aliança, explica que Rui Rio não o tentou demover e garante que não fará coligações com o PS

Pedro Santana Lopes concedeu uma entrevista ao Jornal da Noite da SIC a propósito da criação do seu novo partido, a Aliança. O político fez algumas revelações importantes, como, por exemplo, o facto de ter informado Marcelo Rebelo de Sousa de que ia deixar o PSD, após 40 anos de militância, para criar um novo partido.

Confrontado se a saída do seu partido de sempre tinha sido uma traição, Santana nega por completo esse sentimento. "Não, por amor de Deus. Democracia é liberdade, o que eu fiz e pensei disse na declaração de candidatura, que vinha para clarificar o PPD/PSD e seguir uma estratégia, disse em todas as sessões. O que me convenci é que as ideias que defendo não têm eco no PSD", justificou antes de detalhar. "Tentei dizer ao meu partido anterior 'não vão por aí, mas que estratégia é esta?'. Mas quem sabe disso é o Dr. Rui Rio. Mas se tiver que me coligar será com os que me estão mais próximos", assegurou para depois dar a garantia de que não vai "dar a mão a António Costa". Por outras palavras, não vai coligar-se com o PS para formar maioria absoluta.

Ainda no que diz respeito ao adeus ao PSD, Santana Lopes adianta que Rui Rio não o quis demover. "Falei com ele ao telefone um dia antes de enviar a carta aos militantes. Não fez nada para me demover mas antes já me tinha enviado uma mensagem simpática a dizer que esperava que não acontecesse [ndr. a saída do partido]."

Depois a ida a Belém e a ambição da Aliança: "Acho que o Presidente da República, pronto, nós sabemos que ele gosta de emitir opinião e tudo, mas até estranhei quando o ouvi dizer isso. Eu fui lá falar com ele. Fui-lhe dizer que isto resultava de uma convicção profunda. Não quis fazer nenhuma cisão. Aqueles que me deram razão não falaram e mais não vou dizer. O que me interessa é esta Aliança que estou a construir. As pessoas dizem que ando há 30 ou 40 anos nisto e o meu país tem 70% do rendimento per capita da UE, o sistema de saúde está a rebentar, a justiça demora dez anos e isso não é justiça. Vim para ganhar, a Aliança quer ganhar ao PS e ao Dr. António Costa, se os outros não querem ganhar é lá com eles. Vamos lutar para ganhar eleições, ninguém pode estranhar que queira ter tantos votos quanto seja possível ter."

Disposto a contrariar quem diz que o que pretende é visibilidade - "a minha cara não vai estar em outdoors e não vou ser candidato às europeias" - Santana Lopes explica que não virou "anti-PSD". "Faço isto por convicção, com todo o maior respeito pelas décadas que passei naquele partido. 40 anos não são quatro dias, saio de um grande partido para começar outro do zero e não andei a bater à porta de ninguém para vir comigo."

A finalizar, uma afirmação de profundo otimismo: "Vai correr bem, isto não engana, nunca senti uma adesão assim. Não venho para um dígito, venho para disputar eleitores."

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Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.