Rui Rio acusa governo de "leviandade" no caso do Infarmed

O líder do PSD, Rui Rio, acusou hoje o governo de "leviandade e falta de sentido de responsabilidade" sobre a deslocalização do Infarmed para o Porto, processo que sintetizou como "uma confusão geral".

"Está claro perante a opinião pública que há uma confusão geral e foi uma leviandade completa a forma como tudo foi anunciado. Foi uma leviandade, uma falta de sentido de responsabilidade, porque se lançou uma proposta que não estava estudada e minimamente preparada. Foi um fogacho", disse Rui Rio.

O presidente do PSD, que falava aos jornalistas na sede do partido de Vila Nova de Gaia, onde esta noite se vai reunir com militantes do distrito do Porto, acusou o Governo, liderado pelo socialista António Costa, de "gerar uma confusão geral" e avançou que o grupo parlamentar social-democrata vai pronunciar-se esta semana sobre este dossiê.

"Pelas notícias percebemos que foi uma confusão geral. Andamos para a frente e para trás e, mesmo assim, agora não sei se é para trás totalmente, porque dizem que vai para a comissão para ser analisado. É uma confusão", insistiu Rui Rio.

O ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, disse na sexta-feira que a decisão de suspender para já a deslocalização do Infarmed ­­- Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde de Lisboa para o Porto "é coerente" com o que Governo tem afirmado e foi tomada tendo em conta a vontade dos trabalhadores da instituição.

Hoje à tarde, em conferência de imprensa, o presidente da câmara do Porto, o independente, Rui Moreira, acusou o Governo de "sucumbir àquilo que é a máquina do Estado" e afirmou que o Infarmed vai continuar 'forever and ever' em Lisboa.

"As explicações estão dadas. O ministro aquilo que disse é que houve uma alteração da política e que vai atirar para uma comissão que, no dia de são nunca à tarde, na semana dos nove dias, é capaz de decidir que o Infarmed vem para o Porto. E, nesse dia, criam uma outra comissão para ver se alguma comissão diz que é mau o Infarmed vir para o Porto", afirmou Rui Moreira, acrescentando que não teve contactos do governo para discutir este processo.

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'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?