O que Rio não gosta no PSD? "Críticas com manha, insultuosas e táticas"

Presidente do PSD garante que não vai pôr em causa toda a reforma da Justiça feita no Governo de Passos Coelho. Só parte.

Rui Rio disse hoje estar disponível para críticas internas às propostas que irá apresentar na área da justiça, desde que "convictas e genuínas", mas negou querer "destruir de cima a baixo" o trabalho do anterior executivo.

"O que foi feito pelo Governo anterior e pela anterior ministra da Justiça [Paula Teixeira da Cruz] tem coisas boas e coisas menos boas, e a sociedade evolui. Já fiz muitas reformas na minha vida que mais à frente tiveram de ser ajustadas, a prática vai dando ensinamentos", afirmou Rui Rio, quando questionado, no final de uma reunião com a Ordem dos Solicitadores, se pretende alterar a política do anterior executivo PSD/CDS-PP.

O presidente do PSD considerou que o trabalho que foi feito "não é intocável" nem "um tabu", e apontou como exemplo de algo que, em muitas das reuniões que tem feito com agentes da justiça, lhe tem sido dito que "correu mal": a passagem dos inventários dos tribunais para os notários.

"Quando são críticas sinceras, convictas e genuínas, eu gosto e são por essas que entrei para a política. Coisa diferente é quando são críticas com manha, insultuosas e táticas"

Questionado se está preparado para as críticas que podem surgir dentro do seu próprio partido, respondeu: "Quando são críticas sinceras, convictas e genuínas, são essas que eu gosto e são por essas que entrei para a política, coisa diferente é quando são críticas com manha, insultuosas e táticas". "Esse curso eu também tenho, mas não o pratico", disse.

No final da reunião de quase duas horas, na sede nacional do PSD, no âmbito de audiências que tem vindo a realizar desde final de maio na área da justiça, Rui Rio repetiu que "o primeiro documento" que o Conselho Estratégico Nacional está a produzir nesta área será divulgado até final de julho, mas não em forma de desafio aos restantes partidos.

"A proposta já está toda desenhada, a questão que se coloca é fazer um documento que possa ser olhado pelos outros com simpatia e aceitação", disse, reiterando que não será apresentado "num formato tradicional, de conferência de imprensa" e que o objetivo "não é o PSD ter os louros".

Rui Rio assegurou que, sobre esta reforma, não teve ainda qualquer "contacto direto" nem com o PS nem com "mais nenhum partido".

A reunião com a Ordem dos Solicitadores não foi ainda a última no âmbito das audições na área da justiça, estando prevista outra com o Tribunal de Contas e, se o processo de reforma da justiça avançar, "seguir-se-ão muitas outras nos próximos meses".

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