Rio com confiança renovada até às legislativas."A estratégia é a mesma"

Na sua cidade, Rui Rio saiu com confiança renovada até às legislativas. Saiu vencedor da jogada arriscada da moção apresentada ao Conselho Nacional. Os críticos, muitos líderes de distritais, e, sobretudo Luís Montenegro que o desafiou para eleições diretas, saíram derrotados desta batalha. As tropas contra a direção do partido têm que guardar pelo menos até às legislativas de outubro para marchar a favor do antigo líder parlamentar do PSD.

A urna fechou às 3.05 e de lá saíram os 75 votos de confiança dos conselheiros nacionais do PSD na direção nacional do partido. Por voto secreto, a moção de Rui Rio foi aprovada esta madrugada por 75 votos a favor, 50 contra e um nulo. O líder fez um discurso de vitória sem grandes remoques aos adversários, mas manifestou-se firme na intenção manter a estratégia, que internamente é criticada, que desenhou para levar o partido ao poder.

"Já cá ando há muitos anos. Sei o que estou a fazer", disse e justificou que delineou os passos que dá na política a pensar nos tempos eleitorais. Era difícil, afirmou aos conselheiros, prever há dois aos que o PS "estaria tão baixo". E garantiu: "O PS pode perder as eleições, há condições para isso. Nós temos de ser capazes de as ganhar". O único remoque foi para os "boicotes" que tem sofrido no partido, e sem nunca mencionar o nome de Montenegro, que o têm impedido de se afirmar.

Mas o desafio de Montenegro foi um "mal que até veio por bem", para que "haja uma nova etapa de unidade" no partido. "Ainda há há algum tempo para construir uma alternativa"

Entre apoios e críticas a Rui Rio, "sempre com elevação", o momento mais emocionante desta reunião do Conselho Nacional extraordinário no Porto foi o abraço entre o líder do PSD e aquele que era um velho inimigo. Luís Filipe Menezes foi ao Conselho Nacional dizer que o apoia "até à vitória" nas legislativas.

Líder acusou Montenegro de falta de "coragem" e rejeitou "tsunami"

Rui Rio foi, sim, contundente logo no arranque do Conselho Nacional extraordinário do PSD. Acusou Luís Montenegro de ter falta de "coragem" para há um ano para ter ido a votos contra ele.

"Nunca andei em manobras de corredores parlamentares ou jornalísticos, conspirando contra quem é legitimamente eleito. Muito menos, seria capaz de boicotar a atividade de quem foi democraticamente escolhido para trabalhar, para, no momento seguinte, poder reclamar que tudo está mal.", afirmou aos conselheiros o líder do PSD, no discurso de defesa da sua moção de confiança. E acusou o opositor, que não está presente na reunião. "Hipocrisia", é a palavra que usou para classificar as manobras de bastidores e acusou Montenegro de falta de coragem.

E explicou as razões porque apresentou a moção de confiança: "A razão pela qual hoje aqui estamos deve-se ao facto de me ter sido lançado um repto para abandonar as funções para que fui democraticamente eleito, e convocar novamente eleições diretas para a liderança do PSD. Um repto para eu desertar".

Aos que têm dúvidas sobre a sua estratégia política, Rio disse que sempre foi muito melhor em eleições do que em sondagens. Mas não faltam os que, ao contrário de mim, sejam melhores em sondagens do que em eleições".

"Eu próprio, se me candidatasse a sondagens, teria apenas ganho uma das diversas eleições que já disputei. Nem as últimas diretas teria conseguido ganhar, muito menos, as primeiras a que concorri. Nessas verificou-se, desde logo, a minha fraca aptidão para ganhar sondagens, já que, nesse campeonato, apenas consegui um máximo de 19%, contra os 44% que obtive nas eleições em causa. Sempre fui muito melhor em eleições do que em sondagens", disse num discurso a que o DN teve acesso.

O líder social-democrata escalpelizou os resultados eleitorais do partido, entre os quais os de 2015, na aliança entre Passos Coelho e Paulo Portas. "Tivemos 36% em coligação, se expurgarmos a parte do CDS, que em 2011 tinha tido 11%, ficamos com valores da ordem dos 25 a 26%. Este é que é um dos pontos de partidas, não são as sondagens, que sabemos feitas, tantas vezes, a gosto do freguês".

Aos que agora o querem abater com a ideia de que o partido poderá ter um péssimo resultado eleitoral, entre os quais o antigo líder parlamentar do PSD, e que o acusam de estar agarrado ao lugar por não marcar diretas, Rio disparou:

"Não foi seguramente a mim que me faltou a coragem. Faltou, sim, a quem há um ano atrás, na altura própria, não teve o arrojo de se assumir, poupando o PSD a este espetáculo pouco dignificante que estamos a dar aos portugueses.

"Como é público e notório há muitos anos, coragem foi coisa que nunca me faltou. Estou, aliás, à espera de, pela primeira vez, perder umas eleições, enquanto que os que me desafiam estão na posição inversa: estão à espera de conseguir ganhar uma eleição, pela primeira vez na vida. Não foi seguramente a mim que me faltou a coragem. Faltou, sim, a quem há um ano atrás, na altura própria, não teve o arrojo de se assumir, poupando o PSD a este espetáculo pouco dignificante que estamos a dar aos portugueses". A farpa dirigida a Montenegro, que se candidatou à presidência da câmara de Espinho mas que não conseguiu conquistar.

Afirmou que rejeitou o repto para marcar eleições apenas por querer "servir o país". "O mais fácil e mais cómodo seria sair e voltar as costas às dificuldades. Mas tal atitude revelaria uma irresponsabilidade e uma falha grave aos compromissos que assumi perante todos os militantes em geral, e perante os que em mim votaram e em mim acreditam, em particular. Foi, como aqui comecei por dizer, atitude que nunca constou das minhas opções ao longo da vida".

O líder social-democrata sublinhou que tomar a decisão de enredar, outra vez, o partido numa longa campanha interna, seria colaborar numa irresponsabilidade de consequências imprevisíveis. "O mais fácil e mais cómodo seria sair e voltar as costas às dificuldades. Mas tal atitude revelaria uma irresponsabilidade e uma falha grave aos compromissos que assumi perante todos os militantes em geral, e perante os que em mim votaram e em mim acreditam, em particular. Foi, como aqui comecei por dizer, atitude que nunca constou das minhas opções ao longo da vida".

Numa farpa direta a Pedro Duarte, afirmou manifestou-se "estupefacto" por ter criticado em entrevista não ter ainda presentado nomes e ideias para as eleições europeias e, logo de seguida dizer que "partido deve mergulhar numa disputa interna" a tão pouco tempo das eleições.

"Pior ainda: alguns dos que defendem este tsunâmi partidário são os mesmos que antes das últimas diretas defenderam e aprovaram um período de 4 meses para a realização do Congresso Nacional - dizendo que o assunto era sério e que a democracia exigia um debate com o devido tempo - que, agora, dizem que, com menos de metade desse mesmo tempo se conseguiria realizar tarefa idêntica".

Assegurou que o desafio feito por Montenegro "é um frete ao PS, abrindo-lhe a porta a uma vitória eleitoral fácil" e é, também, "um aliciante convite ao nosso eleitorado para se encaminhar para a abstenção e para as alternativas partidárias à nossa direita. "Esta sessão do Conselho Nacional, que temos de realizar por força da confusão e da instabilidade gerada, é ela própria um espetáculo de prime time para António Costa, que, se for um homem educado, terá de, necessariamente, agradecer a alguns companheiros nossos, pelo serviço de excelência que lhe estão a prestar".

E questionou: "Porque razão se aceitariam agora novas eleições internas, quando, ainda em julho passado, um militante houve, que também se anunciou disponível e desejoso de concorrer a idêntico ato eleitoral?" Defendeu que a "estabilidade é um fator de confiança dos portugueses. "Demitir esta Comissão Política Nacional, eleita democraticamente há uns escassos 11 meses, a menos do meio do seu mandato, seria, também, não lhe dar a oportunidade de poder trabalhar com um mínimo de condições para tal", assegurou.

Garantiu também que a "permanente guerrilha" e o "constante boicote à atividade dos órgãos eleitos é o expoente máximo do desrespeito pelos militantes do partido e, mesmo, pelos portugueses em geral; que esperam legitimamente do PSD a construção de uma alternativa estável e credível ao Governo do PS".

Diretamente sobre a moção, Rui Rio defendeu que não seria justo chumbá-la, porque "já aqui disse, mais do que uma vez, que, primeiro, as eleições perdem-se. Só depois, se podem ganhar". Garantiu que o PS colocou-se numa posição de "perder eleições", com a degradação dos serviços públicos, o abrandamento da economia, os desentendimentos no seio da maioria parlamentar, a generalização do descontentamento das pessoas, entre outras coisas.

"Com a guerrilha que temos tido. Com terramotos políticos, como este, que hoje aqui estamos a resolver, não será possível atingir aquilo que está perfeitamente ao nosso alcance e é nosso dever". Terminou a pedir "maturidade e sentido de responsabilidade" ao partido.

"Se for o outro, o da instabilidade e o do afundamento nas questões internas, é mais do que claro que a derrota será certa e o definhamento do partido poderá ser ainda superior ao que experimentamos nas últimas eleições autárquicas".

Conselheiros dividios e um machado de guerra enterrado

O confronto começou no Conselho Nacional extraordinário do PSD, no Porto. com Pedro Pinto, líder da distrital de Lisboa do PSD, uma das que andou a recolher assinaturas para uma moção de censura ao líder do partido, a abrir as hostilidades. Segundo fontes do Conselho disse que Rui Rio não tem "condições para levar o PSD até às próximas eleições".

O antigo presidente da Assembleia da República, Mota Amaral, saiu em defesa de Rio, defendendo a continuidade do presidente do partido. "Temos os nossos adversários fora do partido". Foi o primeiro a trazer a debate a questão da votação nominal da moção de confiança, tal como já tinha defendido publicamente. "As pessoas devem assumir as suas responsabilidades perante os seus eleitores" e relembrou a votação de quarta-feira na Grã-Bretanha do Brexit. "Sá Carneiro sempre tomou as suas posições de cabeça erguida".

O presidente do governo regional da Madeira, Miguel Albuquerque, também considerou "um erro" eleições internas a poucos meses das eleições europeias.

Hugo Soares, o líder parlamentar do PSD que sucedeu a Luís Montenegro e um dos seus mais próximos, criticou, como era de esperar a estratégia do presidente do partido e voltou a usar a analogia do "carro que vai contra a parede". Censurou o facto de Rio se mostrar disponível para o diálogo com o governo. "Se o Dr. Rui Rio tivesse intervenções como teve na semana passada contra António Costa como teve contra Luís Montenegro, não estávamos aqui", assegurou.

Os apoiantes de um lado e de outro continuam a discursar, em intervenções de 5 minutos no máximo, das mais de 70 inscrições para falar. Pedro Alves, presidente da distrital de Viseu, que foi apoiante de Rui Rio nas diretas, mas que esteve agora no movimento de distritais contra a liderança, considerou que o partido não tem conseguido demonstrar que o PS anda a enganar os portugueses e defendeu que por uma questão de "clarificação" deveria sair do Conselho Nacional a decisão de ir para eleições diretas, ou seja, rejeitar a moção de confiança de Rio.

Luís Filipe Menezes, que em tempos foi arqui-inimigo de Rui Rio, e que se tem mantido muito afastado da vida política desde que deixou a liderança do partido, foi ao Conselho Nacional dizer que Rio tem o seu apoio "até à vitória" nas legislativas de outubro. "Esta discussão deveria ter sido feita há um ano, nas eleições diretas". Menezes atacou ainda Santana Lopes, dizendo que não "vai amuar e fazer um partido para acabar a carreira política a ter 3 ou 4%". E lançou, dali do Porto, uma farpa ao antigo líder do partido Marcelo Rebelo de Sousa. "Não quero um Presidente da República só para selfies".

À saída, Menezes reafirmou o que disse na sua intervenção e fez um forte ataque a Manuela Ferreira Leite. Afirmando que o partido deve cerrar fileiras e estar unido, "sem ódios nem vinganças", o antigo líder do PSD disse ser necessário tirar "alguns maus amigos que não ajudam". E concretizou. "Manuela Ferreira Leite quando vai à televisão pretensamente ajudar Rui Rio, não vai. Vai atacar Passos Coelho. Está a prejudicar o PSD e Rui Rio", disse. O futuro do partido não pode dar lugar a ressentimentos, prosseguiu Menezes, para quem o importante é criticar o atual governo. "Este governo é um bluff, esta coligação é um buraco. Aquela senhora pequenina do BE e o dr. Jerónimo deixam passar tudo."

Este foi mesmo um inesperado apoio ao líder do PSD que motivou um forte abraço a Menezes, após décadas em que eram vistos como inimigos dentro do partido por "guerras"nas estruturas do Porto, que datam da década de 1990.

Rangel contra crise em "motivo excecional"

Na reunião do CN, que decorreu à porta fechada, o eurodeputado Paulo Rangel, que deverá ser o cabeça de lista do partido às eleições europeias de maio, defendeu perante os restantes conselheiros que não faz sentido interromper um mandato sem que um facto excecional o justifique. " É mal compreendido pela opinião pública", disse e assegurou que "as pessoas que estão em casa não estão a ver com os olhos dos militantes e dos jornalistas e não compreendem". Na sua opinião, se o partido entrar num processo de eleições internas "terá um efeito muito negativo", sobretudo por "estarmos num período eleitoral".

Paulo Rangel pronunciou-se ainda sob a polémica em torno do modo de votação da moção de confiança, defendendo o voto de braço no ar, ao contrário dos críticos de Rio. "Um Conselho Nacional é um Parlamento do partido, No parlamento estão os representantes dos militantes. O que é normal é que os representantes votem de modo a que os representados saibam".

Rui Rio defendeu voto secreto e foi aprovado por 78 votos

O ex-líder parlamentar do PSD entrou a matar no Conselho Nacional extraordinário do PSD e desafiou o presidente do partido, que não tem direito de voto, a revelar qual a sua posição sobre o modo de votação da moção de confiança. Líderes das distritais de Coimbra e Setúbal ameaçavam não votar. Rui Rio respondeu já de madrugada pela voz do secretário-geral do partido, José Silvano, que comunicou aos jornalistas a opção do líder social-democrata pelo voto secreto.

Hugo Soares fez ainda apelo para que o Conselho de Jurisdição Nacional do partido se pronunciasse sobre a matéria. Aquele órgão acabou mesmo por dar um "parecer sucinto" em que reconheceu que ao abrigo do artigo 13.º, alínea C do regulamento dos Estatutos do PSD, se a votação secreta fosse solicitada por um décimo dos membros do CN presentes ela teria de ser obrigatória.

Ainda assim, a mesa do Conselho Nacional decidiu colocar à votação os requerimentos entregues para votações de forma diversa, o que levou os membros do órgão de Jurisdição do partido a abandonar a sala. Sobre a mesa estavam quatro requerimentos que deram entrada, todos relativos à forma como irá ser votada a moção de confiança. Segundo informação prestada por José Silvano aos jornalistas, um requerimento defende o foto secreto, outro o voto de braço no ar, um terceiro pede que seja por voto uninominal - cada conselheiro teria que dizer o seu voto - e um quarto requerimento, entregue por conselheiros e congressistas que elegeram conselheiros, pede que seja o próprio conselho nacional a votar qual o método de votação da moção de confiança à direção de Rui Rio.

Acabou por ser aprovado o voto secreto. 78 conselheiros quiserem pronunciar-se em urna e só 26 de braço no ar.

O presidente da distrital de Coimbra do PSD, apoiante de Luís Montenegro, fez a intervenção mais contundente da noite de facas longas no PSD sobre a polémica da votação. "A si ainda comprava um carro em segunda mão",disse virando-se para Rui Rio, mas "não à sua Comissão Política Nacional, que "não contribuiu para a estabilidade do partido mas para a guerrilha".

Idêntica posição assumiu outro apoiante de Montenegro. O líder da distrital de Setúbal garantiu que se o voto não for "livre e democrático", ou seja secreto, e Rio "obrigar a votar como se faz lá na minha terra", de braço no ar, não votará. Bruno Vitorino argumentou que só através do voto secreto se "clarificará" o peso político da direção do PSD e será uma forma de calar os críticos. "Serei o primeiro a fazer essa clarificação, se ganhar apresentarei a demissão da minha Comissão Política Distrital e devolverei a palavra aos militantes".

À mesa exigiu que a moção de apoio à direção seja por voto secreto, se assim não for, ameaçou, "recuso-me a participar no que considero uma fraude eleitoral". O deputado Carlos Abreu Amorim, uma das vozes mais críticas da direção social-democrata, usou o mesmo argumento da "fraude" e defendeu que os conselheiros se pronunciem em urna. E também ameaçou com "indeferimento" caso seja deliberado a votação de braço no ar.

Nesta altura, ainda há muitos inscritos para falar na sala do Hotel Porto Palácio que ainda aguardam pela sua vez e com a nova interrupção, os trabalhos deve, prolongar-se pela madrugada.

Morais Sarmento ataca "apetites" de um militante

Um dos vice-presidentes de Rui Rio dos mais discretos saiu esta madrugada num ataque feroz a Luís Montenegro. Nuno Morais Sarmento acusou o antigo líder parlamentar do PSD de criar uma "crise séria" no partido apenas pelos "apetites" de um militante pela presidência do PSD. "Eu ainda compreendia que ao arrepio das regras do nosso partido, há mais de 40 anos que respeitamos, tivesse sido posta perante os militantes uma qualquer estratégia. Mas não vi qualquer estratégia", que a existir deveria ter sido apresentada há um ano em congresso,

"Não tente à 25.ª hora, sem apresentar uma única ideia, substituir uma direção e os ciclos normais do nosso partido", disse ainda Sarmento.

O "erro" de Montenegro e as "falhas" de Rio

Esta noite de quinta-feira, falaram de seguida o atual secretário-geral do PSD, José Silvano, e o antecessor, José Matos Rosa, que atravessou o consolado de Pedro Passos Coelho,

O primeiro, como é óbvio, considerou uma "completa irresponsabilidade" criar uma situação de instabilidade no partido. Se a moção de confiança for rejeitada, lembrou, segue-se a marcação de eleições diretas. "Vão ser três meses, no mínimo, em luta interna enquanto lá fora estarão todos em campanha". José Silvano manifestou-se convicto de que o PSD irá ganhar as próximas eleições.

José Matos Rosa, que tem sido crítico de Rio, levantou a voz para pedir bom senso ao partido e pedir que os conselheiros pensem bem como votar a moção para que o PSD não fique "mais pequeno e irrelevante".

Castro Almeida falou na dupla condição de vice-presidente de Rui Rio e "amigo"de Luís Montenegro, para o qual pediu ao partido que não se esqueça de reconhecer o valor que teve enquanto líder parlamentar num momento tão difícil quanto foi o período do governo de Pedro Passos Coelho. "Tem um capital que não podemos esquecer e ser ingratos". Esta declaração deu-lhe mais crédito para censurar o "amigo". "Montenegro tomou uma atitude muitíssimo reprovável", afirmou sobre o desafio à liderança de Rio. "Montenegro atirou para aqui uma bomba" e sublinhou que o antigo líder parlamentar nunca disse que vai ganhar as eleições.

O dirigente social-democrata questionou os conselheiros nacionais:"Vale a pena criar este problema tão sério ao partido?" E respondeu: "A estrela de António Costa está a perder brilho, seria o melhor presente de Páscoa que lhe poderíamos dar"

A líder da JSD fez uma intervenção muito assertiva, lamentando o timing desta crise e o "triste espetáculo"que o partido está a dar ao país. Margarida Balseiro Lopes distribuiu criticas entre o líder do partido, que convida pessoas a sair do partido e o opositor, Luís Montenegro, que abriu a crise. "Sou pela estabilidade dos mandatos, mas não posso deixar de perceber os motivos que estão na sua base e concordo com alguns argumentos", disse .

E de modo frontal disse ali naquele hotel do Porto o que vai mal na vida do partido: todo o discurso; a diferença para o PS e a marca PSD. Margarida Balseiro Lopes defendeu que é preciso "ser mais duro nas críticas ao primeiro-ministro, que a demarcação em relação aos socialista tem de ser mais clara e que tem de haver um reconhecimento "sem medo ou tibiezas" do trabalho do anterior governo.

Miguel Morgado contra a "classe dos indesejáveis"

Um dos principais colaboradores de Pedro Passos Coelho, conselheiro político no anterior governo, Miguel Morgado, atacou esta madrugada de sexta-feira a "estratégia" de Rui Rio.e assumiu que não tem "confiança" na direção política do partido, O deputado social-democrata, que já assumiu que também poderá vir a disputar a liderança do partido, censurou o "recentramento" do PSD."Significa, na prática, a assimilação total do nosso partido, da nossa identidade pelo PS. Este PS não serve este país e a única razão do PSD é servir o país e não o PS".

Miguel Morgado insistiu, numa crítica direta a Rio, que convidou quem discorda estruturalmente da estratégia seguida a sair do partido:"Nós não somos socialistas, faz parte da nossa identidade federar as diferenças, não é criar um clima de indesejáveis. Ora é essa a estratégia que tem sido seguida e da qual me demarco totalmente porque isso é sinónimo de definhamento do partido".

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