Rangel diz que Vox "não tem lugar, nem nunca terá" no Partido Popular Europeu

O cabeça de lista do PSD às europeias rejeita que partido espanhol Vox possa vir a integrar o Partido Popular Europeu, do qual é vice-presidente. Paulo Rangel apresenta esta terça-feira o manifesto eleitoral, que aposta muito nas políticas sociais e para a juventude.

"Não tem lugar, nem nunca terá!". Paulo Rangel é assim, taxativo, quanto à possibilidade do partido "surpresa" nas eleições espanholas, o Vox, entrar para a família política a que pertence o PSD e o CDS na Europa. O cabeça de lista social-democrata e vice-presidente do PPE diz que é uma "força de direita radical, um partido nacionalista, que já tem um programa anti-Europa". E, portanto, incompatível com os valores do Partido Popular Europeu.

Rangel rejeita esta possibilidade sugerida pelo cabeça de lista do CDS às eleições para o Parlamento Europeu, Nuno Melo, na véspera de apresentar o manifesto às europeias que terá propostas para várias áreas, entre as quais as sociais, de juventude, reforma da União Económica e monetária e alterações climáticas.

Nuno Melo tinha rejeitado a ideia de que o Vox se trata de um partido de extrema-direita e abriu a porta a que viesse a integrar o PPE. "O Vox estará para o Partido Popular [espanhol] como a Aliança está para o PSD", afirmou Nuno Melo, em recente entrevista à Lusa. O DN tentou - em vão - saber a opinião de Assunção Cristas sobre a adesão do Vox ao PPE.

Mas ainda antes das propostas, que são esta terça-feira tornadas públicas em Braga, Paulo Rangel insiste que o Vox - que conseguiu 12,1% nas urnas ­- "é um partido de direita radical, que não é fascista como os que existiam nos anos 30, mas que é de uma direita muito negativa". Tão "negativa como a esquerda radical", diz, onde insere o PCP e o BE.

Cancro e juventude

O manifesto estava esta segunda-feira a ser afinado, mas o conjunto de "medidas emblemáticas" já tinha sido fechado há algumas semanas. Entre as quais as que visam a juventude, como a a criação, inspirada no Eures - Portal Europeu da Mobilidade Profissional, de "uma espécie de programa Erasmus para o primeiro emprego até aos 35 anos fora do seu país, que possa abranger centenas de milhares ou milhões de jovens". Ou ainda a atribuição a todos os jovens de completem 18 anos de um bilhete interrail dentro do território da União Europeia. "É quase um presente de aniversário", diz ao DN Paulo Rangel.

Propostas "marcantes" serão também a de um programa europeu de luta contra o cancro, a definição de uma política comum para a natalidade e a criação de uma força europeia de proteção civil. No que diz respeito ao cancro, Rangel defenderá que em que a Europa deverá ficar a "anos-luz" do resto do mundo no que diz respeito à investigação e ao tratamento da doença. E sobre a natalidade quer uma estratégia comum para a natalidade e até um Conselho Europeu dedicado a este tema e à demografia.

"O PS quer políticas sociais globais na Europa, mas há Estados que não as querem, até por questões ideológicas", sublinha e acrescenta: "Nós queremos é bandeiras sociais aceites por todos e sem forçar a parte ideológica", afirma ao DN o candidato social-democrata.

Como principais "orientações" do manifesto eleitoral do PSD, Paulo Rangel apontará ainda a reforma da zona euro, o ambiente e alterações climáticas e a segurança, com a rejeição do exército único europeu.

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