PSD Cascais quer Miguel Pinto Luz como candidato por Lisboa

As estruturas locais do PSD de Cascais querem que o atual vice-presidente da Câmara seja o nome indicado para as listas do PSD às legislativas. Mas Rui Rio poderá vetar.

As movimentações para as eleições europeias começam a agitar o PSD. O DN sabe que há "uma forte" pressão no PSD de Cascais para que Miguel Pinto Luz, que em tempos assumiu que poderá vir a candidatar-se à liderança do partido, aceite o convite das estruturas locais para ser o nome a indicar para a lista de candidatos por Lisboa.

Em recente entrevista ao DN, o vice-presidente da Câmara Municipal de Cascais dizia ainda não ter decidido se queria ou não ser candidato à Assembleia da República. Mas fonte da distrital de Lisboa do PSD garante que "se Miguel Pinto Luz quiser mesmo, ele será o nome indicado pela concelhia".

A mesma fonte admite que não é uma das figuras que inspirem mais simpatia à direção nacional do partido, a quem compete indicar as listas ao conselho nacional social-democrata. Mas apesar de Miguel Pinto Luz ter assumido que tem ambições no futuro, o antigo líder da distrital do PSD de Lisboa não tem feito uma campanha ativa de oposição à liderança de Rio.

Mas há um outro nome de Cascais que Rui Rio quererá mesmo que integre a lista, que é o do atual deputado Ricardo Batista Leite, membro do Conselho de Estratégia Nacional e porta-voz para a área da Saúde.

As concelhias do PSD têm até final da semana para escolher os nomes dos candidatos a indicar às respetivas distritais que, por sua vez, têm de propor até dia 1 de julho à comissão política nacional. A direção poderia no limite escolher todos os candidatos, mas costuma respeitar as indicações das estruturas locais, sendo que tem sempre quota nacional e a prerrogativa de escolher os cabeças-de-lista.

"Lealdade" como critério para critério

Os critérios para a escolha de candidato, aprovados no final de maio pela direção nacional, também foram discutidos e aprovados nas concelhias. Mas algumas poderão tentar fazer tábua rasa de pelo menos a exigência que todos os candidatos se identifiquem com a "orientação estratégica" da comissão política nacional. Ou seja, o mesmo que dizer lealdade à direção do partido, espelha no critério de "disponibilidade para cooperar de forma politicamente leal e solidária".

"Alguns dos nomes que se fala como indesejados nem serão indicados pelas bases e quem poderá criticar Rui Rio por não escolher quem lhe fez oposição interna?"

Entre os critérios para a escolha dos candidatos do partido às legislativas de 2019 estão também a "qualidade e a competência política bem como a preparação técnica adequada", o "prestígio nacional ou local potenciador de alargamento de apoio eleitoral do PSD e a "aceitação das normas estatutárias e legais inerentes ao exercício da função de deputado".

Nesta escolha de candidatos também se coloca a questão se o atual presidente da distrital do PSD de Lisboa e deputado, Pedro Pinto, caberá nos critérios definidos por Rui Rio, já que apoiou Luís Montenegro quando em janeiro desafiou a atual liderança.

Fonte da distrital garante que as relações entre a distrital e a direção nacional "melhoraram muito" e sublinha que "é preciso que tudo esteja tranquilo, já que largar mais bombas no PSD não será saudável até às legislativas". E garante que não há nenhuma indicação que Rio vá fazer uma "purga muito grande" no grupo parlamentar. "Alguns dos nomes de que se fala como indesejados nem serão indicados pelas bases e quem poderá criticar Rui Rio por não escolher quem lhe fez oposição interna?", reflete a mesma fonte.

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