Sondagem. PS e CDS sobem, Bloco e PSD descem. É tendência ou fruto da época?

"É prematuro tirar conclusões sobre os dados", diz ao DN o politólogo Pedro Magalhães sobre a sondagem publicada esta quinta-feira na imprensa e que dá subida nas intenções de voto ao PS e CDS, e descida ao PSD e BE.

Para o o antigo diretor do Centro de Sondagens da Universidade Católica, as sondagens mostram as tendências, mas não é possível fazê-lo só tendo por base um estudo de opinião. "São instrumentos imperfeitos com margens de erro", afirma Pedro Magalhães. É por isso necessário que que, até às eleições - as primeiras são as europeias - se façam mais sondagens para se perceber a dinâmica eleitoral dos partidos. Começa por aqui a conversa sobre a última sondagem da Aximage publicada pelo Jornal de Negócios e Correio da Manhã e que mostra o PSD e o Bloco em queda e o CDS com a maior subida.

O investigador do Instituto de Ciências Sociais admite que, desde 2015, a tendência tem sido a subida do PS, que o tem colocado sempre numa fasquia perto dos 40%. "O que só foi interrompido no verão do ano passado, após a tragédia de Pedrógão Grande e dos incêndios de outubro", assinala. O PSD, diz, também tem vindo a descer e "depois do verão de 2017 não há sinais de recuperação".

De modo diferente se têm comportado os outros partidos, que têm "mostrado muita estabilidade". A descida agora do BE, nas sondagem da Aximage, explica-se, muito provavelmente, na opinião de Pedro Magalhães, pela polémica em redor do património imobiliário do ex-vereador da Câmara de Lisboa, Ricardo Robles. Mas o investigador avisa: "É prematuro tirar conclusões já."

CDS a terceira força

Segundo a sondagem da Aximage, publicada esta quinta-feira, as intenções de voto no partido de Catarina Martins recuaram 1,7 pontos percentuais. O BE registou assim 7,8% das intenções de voto na rentrée, menos do que os 9,5% que obteve nas sondagens de julho e menos do que os 10,19% conseguidos nas legislativas de 2015. Já o PSD sofreu a maior quebra na intenção de voto (3,1 pontos percentuais), caindo de 27,2% para 24,1% no primeiro verão sob a liderança de Rui Rio.

Ao invés, o CDS registou a maior aumento da intenção de voto (1,8 pontos percentuais), passando de 7,4% em julho para 9,2% em setembro. A ter este resultado, o partido de Assunção Cristas tornar-se-ia no terceiro partido (com assento parlamentar). Mas ainda longe da vontade da líder centrista de ser a maior força do centro-direita em Portugal, como prometeu no último congresso do partido.

Também o PS registou um aumento, embora mais modesto (0,9 pontos percentuais). O partido de António Costa passou de 39% para 39,9% da intenção de voto durante o verão. Apesar do aumento e de manterem a maior intenção de voto, os socialistas estão ainda longe da maioria absoluta, mas acima dos resultados alcançados nas legislativas de 2015, nas quais conseguiram 32,31% dos votos.

A CDU foi a única força a manter a intenção de voto mais estável (variação de 0,1%). A coligação do PCP com Os Verdes subiu de 7% para 7,1% na intenção de voto.

Críticas no PSD, júbilo no CDS

O CDS é que não mostrou "cautelas", como é óbvio, e nas redes sociais vários militantes do partido rejubilaram com com a subida. NO PSD o silêncio tem imperado sobre a prestação do partido nas sondagens. Mas algumas vozes têm-se levantado a pedir a Rui Rio que faça uma oposição mais enérgica ao governo e que se afirme como alternativa de governo.

E apesar de o líder ter feito um discurso muito mais crítico da ação de António Costa na Festa do Pontal, que decorreu em Querença, no fim de semana passado, o facto de ter atacado também os críticos internos, motivou a censura de Marques Mendes e de Luís Montenegro. Este último, que no último congresso do partido se posicionou como futuro candidato à liderança do PSD, instou Rio a fazer mais oposição ao executivo e menos guerra interna e a concentrar-se para vencer as eleições. "Ganhar depende sobretudo de Rui Rio", garantiu Montenegro na TSF.

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