Marcelo vai refletir sobre argumentos anti exploração de petróleo no Algarve

Presidente da República recebeu representantes das associações que lutam pela proibição da prospeção de hidrocarbonetos ao largo da costa algarvia

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, reuniu-se este sábado com o Movimento e a Plataforma Algarve Livre de Petróleo numa audiência em Almancil, Loulé, e disse que agora vai refletir sobre os argumentos que lhe foram apresentados.

A audiência às duas estruturas que contestam a realização de um furo para prospeção de Petróleo ao largo de Aljezur, na costa vicentina, durou duas horas e no final Marcelo Rebelo de Sousa disse aos jornalistas que ambos "confluem na mesma posição por vias e argumentações diferente".

"Recolhi muitos dados de toda a ordem e vou agora naturalmente confrontar com outros dados, ponderá-los e tomar em consideração na apreciação desta matéria", afirmou o Presidente da República, precisando que lhe foram apresentados argumentos "jurídicos, económicos, financeiros, ambientais, de curto, médio e longo prazo, e também políticos".

Questionado sobre se os argumentos apresentados eram "de peso", o chefe de Estado português respondeu que, "para demorar tanto tempo, era porque valia a pena ouvir os argumentos".

"E vou agora analisar esses argumentos com atenção", acrescentou, escusando-se a avançar já com um posicionamento sobre a prospeção de petróleo ao largo de Aljezur.

O Presidente da República explicou ainda que a audiência "teve a originalidade" de ser realizar na Junta de Freguesia de Almancil.

"Não ocorreu em Belém ocorreu aqui, num dia muito cheio pelos motivos que conhecem", concluiu o chefe de Estado, referindo-se à visita que fez à zona do incêndio que atingiu os concelhos de Monchique, Silves e Portimão.

"42 mil objeções a este furo"

A prospeção e exploração de petróleo tem sido contestada pelo Movimento Algarve Livre de Petróleo (MALP) e pela Plataforma Algarve Livre de Petróleo (PALP), que coincidem na necessidade de impedir a sua realização, por ser contrária à tendência atual de luta contra as alterações climáticas, por ameaçar uma região que vive do turismo e tem um valor natural e cultural que deve ser preservado.

Rosália Cruz, da PALP, tomou a palavra pelas estruturas ouvidas na audiência e disse que o encontro serviu para "chamar a atenção para a preocupação com a democracia no país, quando há 42 mil objeções a este furo em (ao largo de) Aljezur, quando há pareceres a pedirem todos eles uma avaliação de impacto ambiental" que não foram tidas em conta e "quando todos os municípios do Algarve dão parecer negativo" e as suas posições não são tidas em conta pelo Governo.

A dirigente da PALP lembrou que a zona onde está previsto o furo é "sísmica, tem biodiversidade única" e "fica perto do Parque Natural da Costa Vicentina".

"Se houver um derrame espalha-se e o Ambiente vem dizer que não é zona sensível", criticou, considerando que houve recetividade de Marcelo Rebelo de Sousa aos argumentos apresentados pelas duas estruturas.

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