Presidente da República quer aposta forte da UE no apoio a África

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, defendeu hoje que a União Europeia tem de ir "muito mais longe" na cooperação e apoio ao desenvolvimento em África, como parte de uma resposta "duradoura" ao "drama das migrações".

"A Europa tem de apostar em África porque, sendo importante o relacionamento da Europa com todo o mundo, há aqui este continente vizinho, que tem muitas afinidades com a Europa desde sempre, e só isso poderá efetivamente criar condições para duradouramente não existir o drama das migrações", defendeu.

O chefe de Estado frisou que "migra quem não tem condições para viver onde vivia" e que cabe à União Europeia como um todo encontrar formas de ajudar a "criar essas condições": "Não é tentar resolver a questão no ponto de chegada, é resolvê-la no ponto de partida", sustentou.

Em declarações aos jornalistas em Rostock, para fazer o balanço de uma visita oficial de três dias à Alemanha em que se reuniu com o homólogo alemão Frank-Walter Steinmeier, Marcelo Rebelo de Sousa revelou que a Alemanha e Portugal coincidiram na necessidade de haver mais colaboração "entre a União Europeia e África".

"Hoje, boa parte das migrações vêm de África e é fundamental criar condições de desenvolvimento económico e social sustentados, em África. E aí é um campo aberto para uma parceria entre Alemanha e Portugal e até para uma parceria europeia", disse.

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, Portugal e Alemanha querem "trazer para este ponto de vista mais países europeus" para ir "mais longe na sensibilização e na procura de pistas europeias para um problema que é também europeu".

Quando continuam a morrer milhares de migrantes nas fronteiras marítimas da União Europeia, Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que a "forma europeia" de gerir a questão será "ir muito mais longe" no "envolvimento em termos de desenvolvimento económico e social em África".

Para Marcelo Rebelo de Sousa, é preciso "sensibilizar outros parceiros europeus para a União Europeia perceber como um todo não só que África não é um continente esquecido como durante muitas décadas foi" mas também que é "um continente vital para a Europa".

"E essa escolha, que é naturalmente de políticas públicas mas é também de parcerias com privados, significa em conjunto nós conseguirmos sensibilizar os demais Estados membros", disse.

O tema esteve em discussão durante a visita do presidente português que teve como um dos focos principais a preparação da "cimeira União Europeia/África" que se realizará durante a presidência de Portugal da União Europeia, em 2021, sucedendo à presidência da Alemanha, no final de 2020.

"Economicamente a Alemanha é um parceiro muito forte, em termos de investimento é um parceiro muito forte de Portugal. Em termos de visão institucional da Europa é um parceiro muito forte de Portugal. Nesse sentido, quando olhamos para os aliados fortes de Portugal, lá está, numa posição de destaque, a Alemanha", resumiu.

Marcelo Rebelo de Sousa referiu-se ainda à comunidade portuguesa a viver na Alemanha, cerca de 138 mil cidadãos, sublinhando a importância do reforço do associativismo e observando que nos últimos anos foram criadas na capital, Berlim, "muitas associações".

Para o presidente português, a dimensão da comunidade portuguesa na Alemanha já permite "uma massa crítica" para reforçar no futuro a "participação cívica e política" na vida do país que a acolhe.

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Maria Antónia de Almeida Santos

Uma opinião sustentável

De um ponto de vista global e a nível histórico, poucos conceitos têm sido tão úteis e operativos como o do desenvolvimento sustentável. Trouxe-nos a noção do sistémico, no sentido em que cimentou a ideia de que as ações, individuais ou em grupo, têm reflexo no conjunto de todos. Semeou também a consciência do "sustentável" como algo capaz de suprir as necessidades do presente sem comprometer o futuro do planeta. Na sequência, surgiu também o pressuposto de que a diversidade cultural é tão importante como a biodiversidade e, hoje, a pobreza no mundo, a inclusão, a demografia e a migração entram na ordem do dia da discussão mundial.