Pedro Nuno Santos. "A Catarina não merece ser menorizada por ser minha mulher"

Pedro Nuno Santos, ministro das Infraestruturas e da Habitação, escreve um longo post a defender que "ninguém deve ocupar uma função profissional por favor, como ninguém deve ser prejudicado na sua vida profissional por causa do marido"

O Ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, reagiu às notícias que dão conta que a sua mulher é a nova chefe de gabinete da secretaria de Estado dos Assuntos Parlamentares - o anterior cargo do atual ministro, ocupado por Duarte Cordeiro desde a última remodelação governamental - com um longo post no Facebook em que defende que "ninguém deve ocupar uma função profissional por favor, como ninguém deve ser prejudicado na sua vida profissional por causa do marido, da mulher, da mãe ou do pai"

"A Catarina, que é a minha mulher e a mãe do meu filho Sebastião é, também, a Catarina Gamboa: excelente profissional, pessoa de enorme competência e confiança", escreve Pedro Nuno Santos, que conta a história pessoal dos dois para demonstrar que nada teve a ver com o​​​ percurso profissional da mulher.

"O povo tem o direito de questionar e de querer garantir que os cargos de poder político não são usados para que alguns se sirvam a si e às suas famílias. E é obrigação dos políticos não apenas garantir que essa situação não tem lugar, mas também responder, com verdade, às dúvidas e perplexidades que possam surgir", escreve o ministro, que diz sentir "o dever" de dar essa explicação. Um dever "para com o povo português mas também por respeito ao Duarte e, sobretudo, à Catarina, que não merece ser menorizada no seu percurso profissional - que nada deve a mim - apenas por ser minha mulher".

Pedro Nuno Santos explica que Duarte Cordeiro e Catarina Gamboa já trabalhavam juntos, na concelhia do PS de Lisboa, quando a conheceu, precisamente através do amigo. Sobre o trajeto profissional da mulher explica que "terminou o curso de economia no ISEG e trabalhou vários anos na empresa de consultoria Augusto Mateus & Associados. Pouco depois de chegar a vereador da Câmara Municipal de Lisboa, o Duarte [Cordeiro] convida a Catarina para ir trabalhar com ele. Eu não tive qualquer influência na sua decisão, eu e a Catarina não estávamos sequer juntos nessa altura. Foram as suas competências e a relação de confiança entre ela e o Duarte que o levaram a essa escolha. Na minha opinião fez muito bem".

Com a mais recente remodelação governamental, a "Catarina que, entretanto, tinha assumido funções de coordenação do gabinete do Duarte enquanto Vice-Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, acompanha-o agora para o Governo e ele convida-a para sua chefe do gabinete. Foi assim que as coisas se passaram", prossegue Pedro Nuno Santos, para concluir que "a realidade é sempre mais longa e complexa do que as notícias e os títulos dos jornais".

"Podia dizer que a nossa história é tão banal como a de qualquer outro casal. Mas compreendo que o grau de escrutínio público a que estamos sujeitos, pelas nossas funções, não possa ser banal. É por compreender essa necessidade de transparência que também gostaria que compreendessem que não posso abdicar da defesa de um princípio que considero muito importante: o de que ninguém deve ocupar uma função profissional por favor, como ninguém deve ser prejudicado na sua vida profissional por causa do marido, da mulher, da mãe ou do pai", diz ainda o ministro.

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