PCP contra voto de pesar pela morte do empresário Pedro Queiroz Pereira

Bloco de Esquerda e PEV abstiveram-se na votação do texto apresentado pelo CDS

Um voto de pesar pela morte do industrial Pedro Queiroz Pereira dividiu hoje as bancadas do Parlamento. O PCP votou contra o texto, apresentado pelo CDS-PP, enquanto Bloco de Esquerda e PEV se abstiveram. As restantes bancadas parlamentares - PS, PSD, CDS e o deputado único do PAN - votaram a favor.

O voto de pesar, apresentado e votado durante a reunião da Comissão Permanente da Assembleia da República, na tarde desta quinta-feira, aponta a "importância do legado" do empresário para a indústria e economia nacionais. "As qualidades humanas e profissionais e o espírito empresarial de Pedro Queiroz Pereira fizeram dele uma referência incontornável no meio industrial português, e o rigor com que geriu as suas empresas será sempre um exemplo único de liderança", refere o texto.

Presidente do conselho de administração das papeleiras Semapa e Navigator (ex-Portucel), Pedro Queiroz Pereira morreu a 19 de agosto último, aos 69 anos, vítima de ataque cardíaco.

A votação de hoje reproduziu integralmente a divisão que se já tinha verificado em novembro do ano passado, quando o parlamento votou uma nota de pesar pela morte de outro empresário português, Belmiro de Azevedo. Nessa altura, o PCP também votou contra, enquanto BE e PEV se abstiveram.

PCP, BE e PEV contra voto por John McCain

Durante a reunião parlamentar de hoje, outro voto de pesar - apresentado pelo PSD - também dividiu o hemiciclo. Neste caso, o texto referia-se ao senador norte-americano John McCain, falecido no final de agosto. As bancadas do PCP, BE e PEV votaram contra, enquanto PS, PSD e CDS votaram a favor. O PAN absteve-se.

"Um homem de convicções fortes e de grande frontalidade, McCain transformou-se numa figura moral do Senado e do seu partido e alguém reconhecido internacionalmente, não apenas pela sua postura na política interna americana, como também no plano externo onde procurou sempre defender os interesses fundamentais da liberdade e da democracia, discordando inclusivamente de algumas posições do seu próprio partido", refere a nota de pesar.

Numa declaração de voto, citada pela Lusa, a bancada parlamentar do PCP acusa o texto apresentado pelos sociais-democratas e "iludir o papel que, ao longo de décadas, John McCain desempenhou como arauto das guerras de agressão contra Estados soberanos e os seus povos por parte dos Estados Unidos da América".

"Se John McCain foi prisioneiro de guerra, durante a guerra do Vietname, aconteceu porque foi derrubado o avião que pilotava e procedia a um bombardeamento desse país", acrescenta a bancada comunista, referindo o uso de napalm "e outras armas químicas" por parte das tropas norte-americanas.

"O facto de que o embate que hoje divide diferentes setores da classe dirigente norte-americana tenha levado a que as cerimónias fúnebres de John McCain fossem transformadas num espetáculo mediático em nada interessa ao povo português. Nem justifica que a Assembleia da República homenageie um paladino do militarismo e da guerra, que viola os princípios da Constituição da República Portuguesa, da Carta das Nações Unidas e do Direito Internacional", sustenta ainda o PCP.

Com Lusa

Ler mais

Exclusivos

Premium

Opinião

"Orrrderrr!", começou a campanha europeia

Através do YouTube, faz grande sucesso entre nós um florilégio de gritos de John Bercow - vocês sabem, o speaker do Parlamento britânico. O grito dele é só um, em crescendo, "order, orrderr, ORRRDERRR!", e essa palavra quer dizer o que parece. Aquele "ordem!" proclamada pelo presidente da Câmara dos Comuns demonstra a falta de autoridade de toda a gente vulgar que hoje se senta no Parlamento que iniciou a democracia na velha Europa. Ora, se o grito de Bercow diz muito mais do que parece, o nosso interesse por ele, através do YouTube, diz mais de nós do que de Bercow. E, acreditem, tudo isto tem que ver com a nossa vida, até com a vidinha, e com o mundo em que vivemos.

Premium

Marisa Matias

Mulheres

Nesta semana, um país inteiro juntou-se solidariamente às mulheres andaluzas. Falo do nosso país vizinho, como é óbvio. A chegada ao poder do partido Vox foi a legitimação de um discurso e de uma postura sexistas que julgávamos já eliminadas aqui por estes lados. Pois não é assim. Se durante algumas décadas assistimos ao reforço dos direitos das mulheres, nos últimos anos, a ascensão de forças políticas conservadoras e sexistas mostrou o quão rápida pode ser a destruição de direitos que levaram anos a construir. Na Hungria, as autoridades acham que o lugar da mulher é em casa, na Polónia não podem vestir de preto para não serem confundidas com gente que acha que tem direitos, em Espanha passaram a categoria de segunda na Andaluzia. Os exemplos podiam ser mais extensos, os tempos que vivemos são estes. Mas há sempre quem não desista, e onde se escreve retrocesso nas instituições, soma-se resistência nas ruas.

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

Ser ou não ser, eis a questão

De facto, desde o famoso "to be, or not to be" de Shakespeare que não se assistia a tão intenso dilema britânico. A confirmação do desacordo do Brexit e o chumbo da moção de censura a May agudizaram a imprevisibilidade do modo como o Reino Unido acordará desse mesmo desacordo. Uma das causas do Brexit terá sido certamente a corrente nacionalista, de base populista, com a qual a Europa em geral se debate. Mas não é a única causa. Como deverá a restante Europa reagir? Em primeiro lugar, com calma e serenidade. Em seguida, com muita atenção, pois invariavelmente o único ganho do erro resulta do que aprendemos com o mesmo. Imperativo é também que aprendamos a aprender em conjunto.