Denúncia anónima enviada ao Parlamento sobre caso Tancos fala num alegado "saco azul"

Comissão de Defesa recebeu denúncia anónima na véspera da audição da semana passada ao ministro da Defesa sobre o furto nos paióis de Tancos.

A denúncia anónima recebida há dias pelo Parlamento sobre o furto de Tancos centra-se na atuação de responsáveis do Regimento de Engenharia n.º1 (RE1), envolvendo a gestão de material de guerra e a existência de um alegado "saco azul".

O texto, soube o DN, chegou à Comissão parlamentar de Defesa na terça-feira da semana passada, véspera da nova audição do ministro da Defesa sobre o furto nos paióis de Tancos. O seu presidente, Marco António Costa (PSD), enviou-o depois à PGR "para os efeitos tidos por convenientes".

A PGR está a investigar o ocorrido em Tancos no final de junho de 2017, quando desapareceram várias toneladas de material de guerra que viriam a ser recuperadas em meados de outubro e na sequência de um telefonema anónimo para a PJ Militar.

A primeira acusação da denúncia anónima reporta-se ao transporte para os paióis de Tancos "no dia 7 de julho (6.ª feira à tarde)" - que corresponde a 2017, semana e meia após o furto - de "mais de uma tonelada de material pirotécnico [que] estavam no RE1 de forma ilícita".

O autor da denúncia anónima - que pergunta "como é possível o comandante" do RE1 "ter sido neste espaço de tempo condecorado e proposto para o curso de oficiais generais" - indica que a presença daquela tonelada de material de guerra no regimento representava "um total descontrolado de material explosivo" e que "era de pleno conhecimento" do responsável pela logística da unidade.

"Estranho não ter sido detetado nem pela PJM nem pela Inspeção-Geral do Exército", indica a carta anónima, onde se lê também que "'estranha' sempre foi a relação entre o RE1 e os órgãos de investigação militar."

Para reforçar esta observação, o autor da carta diz que, "no anterior comando do RE1, foi roubado material entre o qual um conjunto de talheres da Vista Alegre no valor de milhares [de euros]" e que "havia sido comprado com verba do saco azul" do regimento.

Como tal, não constava dos registos oficiais - logo, "não podendo originar qualquer tipo de investigação criminal", concluiu o autor.

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