Parlamento. Eles baldam-se, elas encobrem

São para já conhecidos quatro casos de parlamentares que não estavam na Assembleia da República apesar de o sistema registar a sua presença, com a colaboração de colegas mulheres

Quatro deputados do PSD não estiveram na Assembleia da República mas a sua presença foi registada. Foram duas colegas de bancada que o fizeram, uma demitiu-se esta quinta-feira. Saiba quem são os seis sociais-democratas.

José Silvano, 61 anos, Direito, deputado e secretário-geral do PSD, presidente da Comissão Política Distrital de Bragança. Ex-presidente da Câmara Municipal de Mirandela, entre 1996 e 2012. Não esteve na reunião plenária de 18 (mas em Vila Real) e 24 (mas em Santarém) de outubro de 2018.

Duarte Marques, 37 anos, Relações Internacionais, deputado do PSD. Não esteve na reunião plenária de 4 de maio de 2017 mas numa conferência no Porto. Faz parte da Helpo (organização não governamental para o Desenvolvimento) e é vice-presidente da Direção da Mosca Publicidade.

José Matos Rosa, 57 anos, deputado do PSD e o antecessor de José Silvano na altura de Passos Coelho Presidente da Comissão de Saúde. Não esteve no plenário do dia 3 de fevereiro de 2017 por estar em conferência em Cabo Verde. E, já na anterior legislatura, esteve em Ponta Delgada no dia 9 de abril de 2015, mas a sua presença foi registada na AR.

Feliciano Barreiras Duarte, 52 anos, Direito, deputado do PSD. Ex-secretário de Estado Adjunto do Ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, entre 2011 e 2013. Não esteve na votação do Orçamento de Estado, a 30 de outubro, por razões familiares, apesar de ter sido registado o seu voto contra.

Maria das Mercês Borges, 63 anos, Historia. Deputada do PSD, coordenadora do partido na Comissão do Trabalho. Marcou presença ao deputado Feliciano Barreiras Duarte, acabando por demitir-se esta quinta-feira.

Emília Cerqueira, 47 anos, Direito, deputada do PSD e na Assembleia Municipal de Valdevez. Marcou presença a José Silvano nos dias em que esteve ausente. Disse, em conferência de imprensa, que o fez inadvertidamente, mostrando-se revoltada com as proporções que o caso tomou.

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Anselmo Borges

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1. Muitas das graves convulsões sociais em curso têm na sua base a globalização, que arrasta consigo inevitavelmente questões gigantescas e desperta paixões que nem sempre permitem um debate sereno e racional. Hans Küng, o famoso teólogo dito heterodoxo, mas que Francisco recuperou, deu um contributo para esse debate, que assenta em quatro teses. Segundo ele, a globalização é inevitável, ambivalente (com ganhadores e perdedores), e não calculável (pode levar ao milagre económico ou ao descalabro), mas também - e isto é o mais importante - dirigível. Isto significa que a globalização económica exige uma globalização no domínio ético. Impõe-se um consenso ético mínimo quanto a valores, atitudes e critérios, um ethos mundial para uma sociedade e uma economia mundiais. É o próprio mercado global que exige um ethos global, também para salvaguardar as diferentes tradições culturais da lógica global e avassaladora de uma espécie de "metafísica do mercado" e de uma sociedade de mercado total.