Remodelação: ministros saíram todos "a pedido", garante Costa

Presidente da República já empossou três estreantes nas funções e dois que são reconduzidos. Ex-ministro da Cultura diz que momento da demissão "foi escolhido pelo primeiro-ministro"

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, já empossou os novos ministros do Governo, três estreantes nas funções, e dois que são reconduzidos, depois de o primeiro-ministro, António Costa, ter mexido na orgânica do Governo.

No final da tomada de posse, que decorreu pelas 12.00 desta manhã no Palácio de Belém, em Lisboa, António Costa insistiu na justificação que já tinha apresentado no domingo para as mexidas no executivo socialista: dar uma "dinâmica renovada" à equipa e responder com uma "centralidade" da política económica do Governo e para mitigar os efeitos das alterações climáticas.

Na cerimónia que decorreu no Palácio de Belém, o primeiro a ler o juramento de que cumprirá pela sua "honra" e "com lealdade" as funções que lhe "são confiadas" foi Pedro Gramaxo de Carvalho Siza Vieira como ministro adjunto e da Economia.

Depois, por ordem, tomaram o novo ministro da Defesa Nacional, João Titterington Gomes Cravinho; a ministra da Cultura, Graça Maria da Fonseca Caetano Gonçalves; a ministra da Saúde, Marta Alexandra Fartura Braga Temido de Almeida Simões; e o ministro do Ambiente e da Transição Energética, João Pedro Soeiro de Matos Fernandes.

Presente na sala estiveram os ministros demitidos: Adalberto Campos Fernandes, Azeredo Lopes, Luís Filipe Castro Mendes e Manuel Caldeira Cabral

Depois de uma breve cerimónia de cinco minutos, Marcelo Rebelo de Sousa cumprimentou os novos governantes e aqueles que saíram. Seguiu-se António Costa - e os colegas que cumprimentaram os ministros empossados.

Cá fora, antes de deixar o Palácio de Belém, António Costa garantiu que os ministros demitidos saíram a pedido, mas Castro Mendes, que saiu da Cultura, notou que o "momento foi escolhido pelo senhor primeiro-ministro, dentro de uma conjuntura compreensível".

Adalberto Campos Fernandes referiu que o fim do seu mandato na Saúde foi "articulado e combinado com o primeiro-ministro". Mas foi deixando escapar, perante a insistência dos jornalistas, que "nunca ninguém sai satisfeito" porque, apontou, ainda tinha coisas para fazer. "Há momentos, como nas estafetas, que é preciso outro jogador", disse Campos Fernandes, trocando-se nos desportos, disponibilizando-se para estar "ao lado" da nova ministra e do Governo.

Antes, António Costa deixou sem resposta sobre por que saía o ministro da Saúde, depois de o primeiro-ministro ter garantido em agosto que podiam tirar "o cavalinho da chuva" aqueles que queriam a demissão de Adalberto - e se a mudança da Energia para o Ambiente (com a provável saída do secretário de Estado da Energia, Jorge Seguro Sanches) fazia a vontade da EDP. "Faz a vontade a todos aqueles que têm consciência de que as alterações climáticas são uma ameaça real", contornou Costa.

O primeiro-ministro recusou a ideia de que os novos ministros tenham problemas em gerir orçamentos que foram preparados por outros. "Os orçamentos não são dos ministérios, não são dos ministros, são do governo." Os novos titulares, afirmou, vão "executar um orçamento que é o do Governo".

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