Nova PGR elege combate à corrupção como grande prioridade

Lucília Gago tomou posse esta tarde como Procuradora-Geral da República, substituindo Joana Marques Vidal à frente do Ministério Público

Lucília Gago elegeu como uma das grandes prioridades do seu mandato à frente da Procuradoria Geral da República o combate à corrupção, "que se tornou um um dos maiores flagelos suscetíveis de abalar alicerces do Estado."

No seu discurso de posse, esta sexta-feira, no Palácio de Belém, a nova PGR fez uma referência especial ao processo "Operação Marquês", como exemplo "dos níveis de exigência e qualidade do trabalho desenvolvido pelo DCIAP", sublinhando a "plena confiança" que deposita no seu diretor, o procurador-geral adjunto Amadeu Guerra - um nome que tem sido falado para número dois da PGR o que significaria uma continuação, de facto, das apostas de Joana Marques Vidal.

Lucília Gago prometeu ainda "acompanhar zelosamente" a tramitação da Operação Marquês, em que o ex-primeiro-ministro José Sócrates é o principal arguido. O processo está em fase de instrução, entregue ao juiz Ivo Rosa.

"Elejo como uma das grandes prioridades do meu mandato - o combate à criminalidade económico-financeira, com particular enfoque para a corrupção, que se tornou um dos maiores flagelos suscetíveis de abalar os alicerces do Estado e corroer a confiança dos cidadãos no regime democrático", disse a nova PGR.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa elogiou Joana Marques Vidal na hora da despedida. "Mostrou entrega ao bem comum, humilde desprendimento pessoal". "A vossa excelência é devido reconhecimento pessoal que penso ser justo alargar ao Ministério Público, como um todo, sob a sua liderança."

E disse mais: "Se alguém mais distraído pensa que a passagem de testemunho implica uma alteração de princípios e valores, desengane-se."

Herdeira de vários casos mediáticos

Lucília Gago herda vários casos mediáticos: o que envolve o ex-primeiro-ministro José Sócrates, o ex-banqueiro Ricardo Salgado (caso BES), o Benfica (e-Toupeira), o ex-ministro Miguel Macedo (Vistos Gold), juízes (operação Lex) e os fogos de Pedrógão Grande.

Encontra também um Ministério Público com falta de recursos humanos. Dos 1592 magistrados, só 1465 estão em efetividade de funções e há muitos magistrados em idade de reforma

Na agenda de Lucília Gago estará também o Estatuto dos Magistrados do Ministério Público, que não foi atualizado ao mesmo tempo que a Lei da Organização do Sistema Judiciário.

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