Ministro, chefe militar e diretor da PJ já falaram sobre Tancos

Encontros informais ocorreram à margem de uma conferência na Academia Militar do Exército.

O furto de material de guerra em Tancos, que voltou à ordem do dia, juntou esta quarta-feira na Amadora, em encontros breves e separados, o diretor da PJ, Luís Neves, com o ministro da Defesa e o chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA).

Sem testemunhas do que foi dito perante muitos dos presentes numa conferência dada pelo chefe do Estado-Maior do Exército francês na Academia Militar, o tema desses contactos informais terá sido o das alegadas guerras institucionais entre a PJ e a Polícia Judiciária Militar (PJM) pois o processo do furto aos paióis está sob investigação e em segredo de justiça.

O tema da conversa foi algo que "não aconteceu no meu mandato" como CEMGFA, limitou-se a dizer o almirante Silva Ribeiro ao DN.

O caso ocorreu no final de junho de 2017, quando o CEMGFA era o general Pina Monteiro, e voltou sábado à ordem do dia com a notícia, no Expresso, de que o Ministério Público (MP) diz haver ainda material de guerra desaparecido e nas mãos de desconhecidos que representa um perigo para a segurança interna.

O Presidente da República, nesse mesmo dia, publicou uma nota onde dizia "te[r] a certeza de que nenhuma questão envolvendo a conduta de entidades policiais encarregadas da investigação criminal [PJ e PJM], sob a direção do Ministério Público, poderá prejudicar o conhecimento, pelos Portugueses, dos resultados dessa investigação".

Na terça-feira, a pedido do PSD, o Parlamento voltou a ouvir o ministro Azeredo Lopes sobre o assunto.

O governante disse desconhecer quaisquer alegadas discrepâncias entre o que foi recuperado e o que consta dos registos dos paióis, admitindo alterar o que disse há um ano - com base nas informações oficiais, explicou - se o MP demonstrar que ainda há alguma coisa nas mãos de estranhos.

A pedido do CDS, a Comissão de Defesa aprovou terça-feira nova audição do chefe do Estado-Maior do Exército, general Rovisco Duarte, sobre o caso.

Aprovadas foram também, a pedido do PS, as audições das secretárias-gerais dos sistemas de Informações da República Portuguesa (SGSIRP), Graça Mira Gomes, e de Segurança Interna (SGSSI), Helena Fazenda - que esta manhã esteve na Academia Militar.

Miranda Calha (PS), que terça-feira era o presidente em exercício da Comissão de Defesa, disse esta quarta-feira ao DN que as audições deverão ocorrer apenas em setembro porque os trabalhos parlamentares antes de férias terminam hoje.

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