António Vitorino passou à quarta ronda

Candidato português foi o mais votado na terceira ronda da eleição para diretor-geral do organismo da ONU responsável pelas Migrações.

O português António Vitorino passou à quarta ronda da eleição para diretor-geral da Organização Internacional das Migrações (OIM), da qual foi excluído o candidato norte-americano.

António Vitorino obteve 68 votos na terceira ronda, contra os 52 da atual vice-diretora-geral da OIM, Laura Thompson (Costa Rica).

O processo fica concluído quando um dos candidatos receber dois terços do total dos votos para a liderança de uma organização com mais de 10 mil funcionários e de 400 representações em mais de 150 países.

O controverso norte-americano Ken Isaacs, escolhido pelo Presidente Donald Trump, foi assim eliminado, interrompendo a eleição contínua de um candidato dos EUA desde os anos 1960.

"Mais um sinal de que o poder, a autoridade e o prestígio dos EUA foram drasticamente reduzidos", comentou Keith Michael Harper, antigo embaixador norte-americano junto do Conselho dos Direitos Humanos da ONU.

Na terceira ronda, Ken Isaacs, escolhido por Washington apesar das suas declarações polémicas sobre os muçulmanos, foi o menos votado dos três candidatos, com 22 votos, pelo que não pode participar na quarta volta, como preveem as regras da organização.

Os Estados-membros da OIM, que desde 2016 integra a estrutura multilateral da ONU, elegem esta sexxta-feira o seu novo diretor-geral. O atual, William Lacy Swing (EUA), termina o seu segundo mandato de cinco anos a 30 de setembro deste ano.

A candidatura de Vitorino à liderança desta organização fundada no início da década de 1950 foi formalizada pelo Governo português em dezembro do ano passado.

A OIM foi integrada na estrutura multilateral da ONU a 25 de julho de 2016. Desde 1992 que a organização tem o estatuto de observador permanente na Assembleia-Geral das Nações Unidas.

A par dos 169 Estados-membros, a OIM conta com oito países que detêm estatuto de observadores.

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