Mendes sobre Rio. "Um líder deve ser agregador não incendiário"

Marques Mendes considerou um "erro e enorme" o desafio que Rui Rio fez aos críticos internos para sair do partido, na entrevista à TSF. "É um sinal de nervosismo, de insegurança e de fraqueza", assegurou.

No habitual comentário na SIC, o antigo presidente do PSD disse que um "um líder deve ser agregador e não incendiário" e recordou que fez Cavaco Silva quando foi eleito em 1995, na Figueira da Foz. O ataque aos críticos internos é ainda um "erro" porque, sublinhou Mendes, desvia a atenção do essencial que é a oposição ao governo.

Congratulou-se que no encerramento da Universidade de Verão, o líder social-democrata tenha "recuado" ao não ter voltado a falar para os críticos. Mas sublinhou que se Rio quer ganhar as eleições, "tem de falar para o país e não para dentro do partido. O seu adversário é o primeiro-ministro não são os companheiros de partido",

As "querelas internas" no PSD também se refletem no fraco resultado que obteve nas intenções de voto, segundo a sondagem da Aximagem publicada durante a semana. "Terramoto" para o partido, e também para o BE foi a palavra que utilizou para classificar o resultado obtido pelos dois partidos. Lembrou que o PSD baixou num mês de 27% para 24% "É o pior resultado de sempre do PSD numa sondagem" e, reforçou que o pior é que "vê crescer o CDS à sua custa". O partido de Assunção Cristas passou para terceiro partido, à frente do PCP e do BE.

O Bloco de Esquerda, que caiu de 9% para 7%, desce, na opinião de Marques Mendes, pelo efeito do caso Robles. O BE "perdeu força no pior momento possível" porque chega à negociação do Orçamento do Estado para 2019 "enfraquecido".

As rentrées do fim de semana também foram analisadas pelo comentador político. De Rui disse que fez bem não se virar para dentro, mas continua a não ter uma causa ou uma proposta diferente e alternativa da governação. Ao invés, Mendes considerou que Assunção Cristas teve vários "picantes" na sua intervenção na Festa da Família, em Valongo. Mostrou grande dureza com o governo, mostrando que quer liderar a oposição; assumiu a redução de impostos como a grande causa. "E, cereja em cima do bolo". o PS perdeu a cabeça e deu uma conferência de imprensa a bater em Assunção Cristas. "Só lhe reforça o estatuto", argumentou.

Marques Mendes abordou ainda a atualidade de Sporting e Benfica, confessando ter Frederico Varandas em muito boa conta e abordando o caso e-toupeira, considerando que a impunidade no futebol português vai acabar, elogiando - mais uma vez - a Procuradora Geral da República: "Joana Marques Vidal é boa para o futebol e para o país."

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