Martins da Cruz abandona o PSD. "Não tenho paciência para pacóvios"

Embaixador e ex-ministro sai do PSD em protesto contra a direção de Rui Rio e não fecha a porta ao partido de Santana Lopes.

O embaixador António Martins da Cruz enviou ao PSD uma carta de desfiliação na qual é muito crítico à atual direção do partido.

"Tenho pena do que estão" a fazer ao PSD e "não tenho paciência para pacóvios", declarou o diplomata esta sexta-feira ao DN.

"Não me revejo no que andam a dizer ou a fazer", insistiu o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros, que apoiou Pedro Santana Lopes na campanha para as eleições diretas de janeiro deste ano no PSD.

Questionado sobre se vai aderir ao partido que está a ser criado por Santana Lopes, de quem é amigo desde 1981, Martins da Cruz foi taxativo: "Não tomei nenhuma decisão e não tem nada a ver uma coisa com a outra."

"Não tenho segundas intenções", sublinhou, lembrando que foi assessor diplomático do primeiro-ministro Cavaco Silva durante uma década "e não estava filiado" no PSD, assim como integrou o governo de Durão Barroso como chefe da diplomacia "e era independente".

"Esses são os meus termos de comparação", explicou Martins da Cruz, precisando que se tornou militante do PSD na presidência de Luís Filipe Menezes (setembro de 2007 a maio de 2008).

Menezes, que assinou a sua ficha de inscrição, convidou-o também para ocupar o primeiro dos dois cargos em que serviu no PSD: presidente da Comissão de Relações Internacionais.

O segundo foi o de membro do conselho estratégico do PSD durante a presidência de Pedro Passos Coelho.

Na carta que dirigiu esta sexta-feira à sede do PSD, António Martins da Cruz escreveu: "Não me revendo na orientação e prática política da atual liderança, e da maioria das figuras à sua volta, renuncio por este meio e a partir de hoje à condição de militante."

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

Isabel Moreira ou Churchill

Numa das muitas histórias que lhe são atribuídas, sem serem necessariamente verdadeiras, em resposta a um jovem deputado que, apontando para a bancada dos Trabalhistas, perguntou se era ali que se sentavam os seus inimigos, Churchill teria dito que não: "Ali sentam-se os nossos adversários, os nossos inimigos sentam-se aqui (do mesmo lado)." Verdadeira ou não, a história tem uma piada e duas lições. Depois de ler o que publicou no Expresso na semana passada, é evidente que a deputada Isabel Moreira não se teria rido de uma, nem percebido as outras duas.