Manifesto X "é para ter consequência", afirma Pedro Duarte

Opositor de Rui Rio lança movimento com "atitude construtiva" com figuras externas ao PSD e que recusa "entrar nos conflitos internos" dos sociais-democratas.

O social-democrata Pedro Duarte admitiu ao DN que lança este sábado um manifesto "para ter consequência" e que surge na sequência da sua disponibilidade para se candidatar à liderança do PSD.

O chamado Manifesto X, no entanto, não serve para fazer oposição a Rui Rio: "Tenho a minha posição, que já tornei pública, mas quero ter uma atitude construtiva e não entrar nos conflitos internos", sublinhou Pedro Duarte.

O ex-secretário de Estado da Juventude realçou que a escolha de pessoas externas ao PSD foi um ato "deliberado [para] não ferir e rivalizar com o trabalho que está a ser feito pela direção do partido" - reforçando assim a ideia de que o Manifesto X é para "pensar o país".

O manifesto "será uma plataforma colaborativa e aberta a todos os contributos", conforme indica a nota de abertura que ficará disponível este sábado na internet.

"Na sua raiz tem também uma visão de um País cheio de gente capaz, de um imenso potencial, que genuinamente deseja um futuro de maior exigência, de maior sustentabilidade, de maior integridade e de maior justiça social - com orgulho no seu passado e esperança no futuro", acrescenta a mesma nota.

O manifesto está a ser feito da "estaca zero" e será construído de "baixo para cima", enfatizou Pedro Duarte ao DN, precisando que as conferências a realizar pelos colaboradores já convidados serão low cost (baixo custo) e vão aproveitar as novas tecnologias para se concretizarem.

A ideia é ouvir e recolher os contributos da sociedade e fomentar a "participação cívica", garantiu Pedro Duarte, cuja equipa terá 20 relatores.

Os "pilares do Manifesto"

Argumentando que "a ideologia não está fora de moda", na medida em que "estabelece um corpo sólido de princípios e valores que norteiam o entendimento sobre a realidade em mudança e criam um verdadeiro sentido de propósito", os promotores do Manifesto X declaram que ele "tem raiz democrática".

A assunção dos valores éticos do humanismo europeu e a defesa da "cooperação entre as classes" e do Estado social são outros pressupostos do projeto - ressalvando que "não confunde" o garantir dos direitos sociais dos cidadãos "com a necessidade de [o Estado] produzir" a totalidade ou mesmo a maioria das funções que os asseguram".

O Manifesto X defende também o capitalismo, mas "regulado pela vontade política para construir uma sociedade mais justa e equilibrada", e rejeita uma visão "exclusivamente materialista" da sociedade, assumindo que "a procura de felicidade é o mais importante e fundamental dos desejos humanos".

"O défice não é tudo, como não é tudo o horário semanal de trabalho", advogam os proponentes do manifesto.

Ética, rigor e esperança são os outros três "pilares do Manifesto X" elencados por Pedro Duarte.

Os académicos Nuno Garoupa (Justiça), Paulo Ferreira (Ciência e Tecnologia) e Ana Isabel Xavier (Defesa e Segurança), o administrador e presidente do Movimento Rui Moreira Francisco Ramos (Território), a economista Vera Barros (Turismo) e o empresário Jorge Martins (Mar) são alguns dos relatores do manifesto para áreas específicas.

Os três conferencistas já convidados são: o gestor Manuel Ramalho Eanes, sobre a "Nova Organização do Estado"; a professora universitária Glória Rebelo, sobre o "Futuro do Trabalho"; o gestor cultural Ricardo Pais, sobre "O papel da Cultura na sociedade".

Ler mais

Exclusivos

Premium

adoção

Técnicos e juízes receiam ataques pelas suas decisões

É procurador no Tribunal de Cascais há 25 anos. Escolheu sempre a área de família e menores. Hoje ainda se choca com o facto de ser uma das áreas da sociedade em que não se investe muito, quer em meios quer em estratégia. Por isso, defende que ainda há situações em que o Estado deveria intervir, outras que deveriam mudar. Tudo pelo superior interesse da criança.