Pedro Duarte elege a Cultura para arrancar debates com sociedade civil

A cultura vai ser o tema da primeira conferência 'online' promovida na sexta-feira pelo Manifesto X, plataforma fundada pelo social-democrata Pedro Duarte, que elege esta área como "o pilar onde devem assentar todas as outras políticas públicas".

Pelas 18:00 do próximo dia 5 de outubro, na página de Facebook do Manifesto X - uma plataforma colaborativa lançada a 22 de setembro - o ator e encenador Ricardo Pais será o orador convidado e responderá durante cerca de uma hora a perguntas de todos os interessados sobre "As artes, a cultura e as pessoas".

Em declarações à Lusa, o antigo líder da JSD Pedro Duarte assumiu que o Manifesto X será a sua "base de trabalho" se um dia tiver responsabilidades no PSD e no país, apesar de o objetivo da plataforma ser ouvir a sociedade civil, sobretudo quem não se identifica com os partidos, e a equipa nuclear que redigirá o texto do futuro manifesto não ter militância partidária.

Depois de em agosto ter afirmado, em entrevista ao Expresso, a sua disponibilidade para disputar a liderança do PSD, Pedro Duarte não se compromete com o momento em que tal poderá acontecer, demarcando-se do movimento Chega, promovido pelo autarca do PSD André Ventura, que pretende recolher as 2.500 assinaturas necessárias à convocação de um Congresso extraordinário no PSD.

"Eu estou do lado da solução, não estou do lado da confusão. Tudo o que seja criar fogo de artifício artificial dentro do partido e divisões internas, ambiente de guerrilha, não contem comigo", referiu Pedro Duarte.

"Se o partido assim o entender, eu sou uma alternativa e estou disponível para ser parte de um PSD diferente do atual. Mas é uma manifestação positiva, construtiva, não é nenhum ataque à liderança atual, nem nenhum esquema de derrube do atual líder", ressalvou.

Por ser a primeira das 20 conferências que o Manifesto X pretende organizar, será o próprio Pedro Duarte a moderar a conversa sobre cultura na sexta-feira, que servirá também para apresentar esta plataforma que quer "dar voz a todas as pessoas que não se identificam com os partidos e por isso não participavam civicamente".

"Eu estou do lado da solução, não estou do lado da confusão. Tudo o que seja criar fogo de artifício artificial dentro do partido não contem comigo"

Por essa razão, as conversas online foram batizadas como 'conferências voX' e a data escolhida para a primeira, 05 de Outubro, aniversário da Implantação da República, também não foi escolhida ao acaso.

"Pensámos que era uma data interessante para lançar uma plataforma cívica formada por independentes", explicou o atual quadro da Microsoft.

Pedro Duarte admite que a escolha da cultura para arrancar as conferências -- haverá pelo menos uma por mês, sempre em formato 'online' -- "foge ao tradicional".

"A cultura, infelizmente, é colocada mais como adorno do que como tema central, mas, do nosso ponto de vista, é o pilar onde devem assentar todas as outras políticas públicas", defendeu.

O objetivo, no final de todas as conferências, será produzir o que foi designado por Manifesto X, e que será elaborado por uma equipa redatorial de 20 pessoas, todas sem militância partidária.

Abertura à sociedade civil

Entre os nomes já escolhidos, contam-se, por exemplo, o analista político e professor universitário Nuno Garoupa, o especialista em Nanotecnologia Paulo Ferreira, que foi dos responsáveis do Plano Tecnológico produzido para o governo PS de José Sócrates, ou Francisco Ramos, administrador de empresas e que presidiu ao movimento cívico de apoio ao atual presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira.

A escolha dos convidados também não obedecerá a critérios partidários e, depois de Ricardo Pais, já estão previstas conferências com o gestor Manuel Ramalho Eanes, filho do antigo Presidente da República, sobre "Nova Organização do Estado", e com a professora universitária Glória Rebelo -- que colaborou com o PS na área do Trabalho e Segurança Social -- sobre "Futuro do Trabalho".

"A lógica é ser um contributo cívico, para o país, feita por pessoas que se identificam comigo, mas sem qualquer compromisso partidário"

"Deliberadamente na equipa que vai redigir a versão final do Manifesto não entra ninguém do partido: isto é para ouvir a sociedade civil, não quero confundir este objetivo com agendas partidárias, nem me interessa criar qualquer ruído dentro do PSD", afirmou, salientando que os militantes sociais-democratas têm outros espaços, como o Conselho Estratégico Nacional.

Sem se querer comprometer com datas, Pedro Duarte admite que antes das legislativas de 2019 esteja concluída pelo menos uma primeira versão do Manifesto, que será depois sujeita a debate público.

"Faz sentido que assim seja, até para poder municiar o próximo Governo, seja ele qual for", afirmou.

Pedro Duarte não conta apresentar as conclusões deste trabalho aos partidos, salientando que as ideias da plataforma estarão disponíveis para "quem quiser aproveitá-las".

"A lógica é ser um contributo cívico, para o país, feita por pessoas que se identificam comigo, mas sem qualquer compromisso partidário", explicou.

No entanto, Pedro Duarte assume o compromisso de, se um dia tiver responsabilidades políticas no PSD e no país, ter no Manifesto X "uma base de inspiração".

"Não é necessariamente o meu programa de Governo, se se proporcionarem essas circunstâncias, até porque teria de ouvir o partido, mas há o compromisso de que este Manifesto será uma base de trabalho se um dia tiver responsabilidades no país", assegurou.

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