Louvor a Teodora Cardoso. PSD tentou embaraçar PS mas falhou, acusam socialistas

Sociais-democratas apresentaram voto de louvor à ex-presidente do Conselho das Finanças Públicas. Socialistas votaram a favor mas apresentaram declaração de voto, onde apontam dedo à bancada laranja por procurar confundir "com tudo o que fez e tudo o que disse" a homenageada.

Os socialistas acusam o PSD de ter procurado "embaraçar o PS" com o voto de louvor à economista Teodora Cardoso, aprovado sem consenso no Parlamento, em 8 de março, numa declaração de voto entregue agora, a que o DN teve acesso.

Na altura, os deputados do BE, PCP, PEV e o socialista Ascenso Simões votaram contra o texto que louvava a "dedicação à causa pública" da ex-presidente do Conselho das Finanças Públicas.

Sociais-democratas, socialistas e centristas garantiram os votos necessários para aprovar este louvor, mas logo na altura o líder parlamentar do PS, Carlos César, prometeu "uma, enfim, declaração de voto".

Agora, "enfim", os socialistas reconhecem que "o Grupo Parlamentar do PS anuiu no voto de louvor", apresentado PSD, "que versava a carreira profissional de Teodora Cardoso".

No entanto, os sociais-democratas - aponta a declaração assinada à cabeça por Carlos César - ao desenvolverem "um elogio incondicional e irrestrito à personalidade em causa" procuraram, "enfim", "embaraçar o PS", tentando "incompatibilizá-lo com a distinção proposta ou confundi-lo com tudo o que fez e tudo o que disse a referida homenageada".

Traduza-se: enquanto presidente do Conselho das Finanças Públicas, Teodora Cardoso foi crítica das opções socialistas na governação dos últimos três anos, por oposição aos elogios que foi fazendo à ação do governo do PSD/CDS, liderado por Passos Coelho.

Segundo o PS, na sua declaração de voto, se cabe o "tributo ao empenhamento daquela economista em causas públicas ao longo de mais de quatro décadas", também se deve notar que "não faltaram nem faltam os motivos de congratulação e ou de divergência, o que aconteceu, num sentido e noutro, nas opiniões que sempre livremente expressou particularmente no cargo do qual agora se despediu - o Conselho de Finanças Públicas". É, afinal, algo que "acontece com qualquer pessoa, nessas circunstâncias tão prolongadas de empenhamento cívico e profissional".

Apontada a tentativa de embaraço, o PS conclui, na sua declaração de voto, que o PSD falhou "nessa sua intenção comezinha". E os socialistas reiteram o seu "respeito" pelo "trabalho" e "carreira pública" da economista.

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