"Gosta de fazer brilharete com o dinheiro dos outros"

Assunção Cristas comentou a notícia do jornal i desta terça-feira, que refere que grande parte do apoio financeiro disponibilizado pelos parceiros europeus vai permanecer nos cofres do Estado para repor veículos e reforçar o material de combate aos fogos.

A presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, acusou esta terça-feira o Governo de António Costa de "fazer brilharete com o dinheiro dos outros" e de ser incapaz de "fiscalizar e garantir que todas as verbas são devidamente aplicadas".

Assunção Cristas considera que o "Governo continua a ter que dar muitas explicações sobre" o uso das verbas para a reconstrução das zonas afetadas pelos incêndios e garantiu que o CDS-PP pediu "a presença urgente do ministro responsável pela reconstrução [das áreas afetadas pelos incêndios de 2017] no Parlamente, o ministro Siza Vieira, para explicar o aproveitamento ou o desaproveitamento ou o abuso nos fundos que foram canalizados para a reconstrução de Pedrógão".

"O que me parece é que o governo gosta de fazer brilharete com o dinheiro dos outros", vincou.

A líder do Partido do Centro Democrático Social Partido Popular, que também é vereadora sem pelouro na Câmara Municipal de Lisboa, falava aos jornalistas durante um périplo pela Escola Básica de 1.º Ciclo O Leão de Arroios e comentou a notícia do jornal i desta terça-feira, que refere que grande parte do apoio financeiro disponibilizado pelos parceiros europeus vai permanecer nos cofres do Estado para repor veículos e reforçar o material de combate aos fogos.

"Creio que é preciso chamar, no limite, todo o Governo e o primeiro-ministro para dar respostas", afirmou, acrescentando que além da presença do ministro Pedro Siza Vieira, também acredita que provavelmente "tem de se juntar o ministro do Planeamento, [Pedro Marques], uma vez que estão em causa o próprio uso de fundos e verbas europeias".

"Não há aqui uma resposta clara até agora do Governo e, portanto, tem de ser trabalhado no Parlamento. Há, de facto, uma incapaz ação do governo de fiscalizar e de garantir que todas as verbas são devidamente aplicadas", considerou, referindo-se às verbas "que vêm dos fundos europeus, do Orçamento do Estado e da solidariedade dos portugueses".

Bruxelas enviou 50 milhões de euros, através do Fundo Solidário Europeu, para os incêndios do último ano, mas apenas 24 milhões vão ser canalizados na reabilitação dos concelhos afetados pelos fogos de outubro, segundo adianta o jornal i.

Os restantes 26 milhões de euros vão permanecer nos cofres do Estado para apoiar instituições como a Guarda Nacional Republicana, Proteção Civil, Instituto de Conservação da Natureza e o Fundo Florestal Permanente. Pedrógão Grande não está contemplado neste apoio.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Catarina Carvalho

Assunto poucochinho ou talvez não

Nos rankings das escolas que publicamos hoje há um número que chama especialmente a atenção: as raparigas são melhores do que os rapazes em 13 das 16 disciplinas avaliadas. Ou seja, não há nenhum problema com as raparigas. O que é um alívio - porque a avaliar pelo percurso de vida das mulheres portuguesas, poder-se-ia pensar que sim, elas têm um problema. Apenas 7% atingem lugares de topo, executivos. Apenas 12% estão em conselhos de administração de empresas cotadas em bolsa - o número cresce para uns míseros 14% em empresas do PSI20. Apenas 7,5% das presidências de câmara são mulheres.

Premium

Adolfo Mesquita Nunes

Quando não podemos usar o argumento das trincheiras

A discussão pública das questões fraturantes (uso a expressão por comodidade; noutra oportunidade explicarei porque me parece equívoca) tende não só a ser apresentada como uma questão de progresso, como se de um lado estivesse o futuro e do outro o passado, mas também como uma questão de civilização, de ética, como se de um lado estivesse a razão e do outro a degenerescência, de tal forma que elas são analisadas quase em pacote, como se fosse inevitável ser a favor ou contra todas de uma vez. Nesse sentido, na discussão pública, elas aparecem como questões de fácil tomada de posição, por mais complexo que seja o assunto: em questões éticas, civilizacionais, quem pode ter dúvidas? Os termos dessa discussão vão ao ponto de se fazer juízos de valor sobre quem está do outro lado, ou sobre as pessoas com quem nos damos: como pode alguém dar-se com pessoas que não defendem aquilo, ou que estão contra isto? Isto vale para os dois lados e eu sou testemunha delas em várias ocasiões.