Juiz Ivo Rosa pediu ao Parlamento o inquérito feito à CGD

Para o magistrado que lidera a fase de instrução criminal da Operação Marquês, a leitura do relatório da auditoria é "relevante para a descoberta da verdade"

O juiz Ivo Rosa pediu à Assembleia da República uma cópia da auditoria feita à Caixa Geral de Depósitos pela consultora Ernst & Young depois de, em janeiro, o Ministério Público ter entendido que a disponibilização do documento ao Parlamento não era "prejudicial aos interesses da prossecução da Justiça e à descoberta da verdade material".

Ivo Rosa, que lidera a fase de instrução criminal da Operação Marquês, pretende ler a auditoria independente, que analisou as contas do banco público entre 2000 e 2015 e encontrou perdas no montante de 1,2 mil milhões de euros em crédito malparado. Segundo o Público, que avança a notícia do pedido de Ivo Rosa, o juiz quer perceber se algumas decisões de Armando Vara foram má gestão ou atos criminosos.

O mesmo jornal relata que, num despacho, Ivo Rosa indica que a "análise do relatório" é "relevante para a descoberta da verdade".

O inquérito Operação Marquês, que teve início há mais de cinco anos, culminou na acusação a 28 arguidos, 19 pessoas e nove empresas, e investigou a alegada prática de quase duas centenas de crimes de natureza económico-financeira.

José Sócrates foi acusado de três crimes de corrupção passiva de titular de cargo político, 16 de branqueamento de capitais, nove de falsificação de documentos e três de fraude fiscal qualificada.

Entre outras imputações, o Ministério Público está convencido que Sócrates recebeu cerca de 34 milhões de euros, entre 2006 e 2015, a troco de favorecimentos a interesses do ex-banqueiro Ricardo Salgado no Grupo Espírito Santos e na PT, bem como para garantir a concessão de financiamento da Caixa Geral de Depósitos ao empreendimento de luxo Vale do Lobo, no Algarve, e por favorecer negócios do Grupo Lena.

Entre os 28 arguidos estão Carlos Santos Silva, Henrique Granadeiro, Zeinal Bava, Armando Vara, Bárbara Vara, Joaquim Barroca, Helder Bataglia, Rui Mão de Ferro e Gonçalo Ferreira, empresas do grupo Lena (Lena SGPS, LEC SGPS e LEC SA) e a sociedade Vale do Lobo Resorts Turísticos de Luxo.

Com Lusa

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É procurador no Tribunal de Cascais há 25 anos. Escolheu sempre a área de família e menores. Hoje ainda se choca com o facto de ser uma das áreas da sociedade em que não se investe muito, quer em meios quer em estratégia. Por isso, defende que ainda há situações em que o Estado deveria intervir, outras que deveriam mudar. Tudo pelo superior interesse da criança.