Deputado do PS contra ministro da Defesa por causa do serviço militar obrigatório

Ivan Gonçalves, líder da JS e deputado socialista, lembra que o programa de governo não prevê o regresso do serviço militar obrigatório (SMO) e diz que o ministro da Defesa, Azeredo Lopes, não deve falar sobre o assunto.

O deputado recorda, em comunicado, que a JS se bateu pelo fim do SMO e contesta o facto de Azeredo Lopes ter admitido, numa recente visita às tropas na Lituânia, que poderia voltar a ser necessário para colmatar a falta de efetivos nas Forças Armadas.

Para Ivan Gonçalves, secretário-geral da JS e deputado da bancada socialista, "regressar a um modelo de SMO seria um verdadeiro retrocesso civilizacional, pelo que não vislumbramos, neste momento, nenhuma razão substantiva que nos leve a considerar que esta deva ser uma matéria passível de ser revertida. Alguns setores da sociedade têm tentado retomar esta discussão, remetendo para as supostas virtuosidades do SMO. Não só não nos revemos nesta visão passadista do que deve ser o estado ou o sentimento de nacionalidade, como ela nos remete para um tempo ao qual Portugal não deve voltar".

Ivan Nunes frisa ainda que "o serviço militar obrigatório não só não é uma solução para os eventuais problemas de falta de efetivos nas Forças Armadas, o que aliás é amplamente reconhecido pelas chefias militares, como é da opinião que a formação cívica e a transmissão de um conjunto e de uma hierarquia de valores aos jovens portugueses não deve estar à mercê da reposição deste regime de caráter militarista, antes deve ser incrementada pelo fomento da participação cidadã nas escolas e na sociedade".

Foi na Lituânia, onde 150 fuzileiros portugueses integram uma missão NATO de tranquilização da região leste da Europa, que Azeredo Lopes admitiu abrir o dossier do SMO em Portugal. O ministro da Defesa considerou interessante o modelo adotado pela Lituânia para fixar os militares nas Forças Armadas, ou seja a passagem entre 3.000 a 3.500 pessoas pelas Forças Armadas, por períodos de nove meses.

O debate sobre a reintrodução do SMO está a decorrer em toda a Europa, mas em França já teve desenvolvimentos. O presidente francês Emmanuel Macron cumpriu a promessa eleitoral e instituiu o serviço militar obrigatório para todos os jovens a partir dos 16 anos, destinado a rapazes e raparigas e dividido em duas fases. .

A primeira fase traduz-se num mês de serviço obrigatório com um foco na cultura cívica, ou seja, trabalho voluntário (ensino, caridade) e instrução com a polícia, bombeiros e exército. A ideia desta primeira fase é "capacitar os jovens para a criação de novas relações e desenvolver o seu papel na sociedade".

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