Premium José Silvano: "Rio não faz milagres. Em guerrilha interna, PSD não pode ter resultado positivo"

Na primeira entrevista depois do caso polémico das presenças, José Silvano garante que não ia manchar o seu nome por supostos 138 euros de ajudas de custo. Admite que o seu caso faz parte da "guerrilha interna" que também tenta "manchar o caráter" de Rui Rio. E adverte que é preciso união ou o PSD corre o risco de deixar de ser um partido de poder.

Depois da polémica sobre a marcação de duas presenças indevidas em plenário, José Silvano diz que é tempo de o Parlamento refletir se um líder partidário poderá ser deputado. Afirma que o PSD anda envolto em guerras internas que só prejudicam o partido. Mas garante que, se a oposição interna a Rui Rio parar, o PSD ainda pode ganhar as próximas eleições legislativas.

Por que motivo não admitiu quando saiu a notícia sobre o seu caso que partilhava a sua password com colegas de bancada?
A pergunta que me foi feita era se eu tinha pedido a alguém para me marcar uma presença no plenário da AR. A resposta era simples: não! Foi através dessa pergunta que fiquei a saber que havia um registo de presença em dois plenários onde eu não tinha estado. Quando temos a consciência limpa não agimos com calculismo, nem preparamos respostas para justificar os atos do dia-a-dia. Ou seja, no imediato, nem me lembrei do que podia ter sucedido: alguém ter acedido ao meu computador e, dessa forma, ter também registado a minha presença, para lá da consulta que foi efetivamente fazer.

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Com a idade, tendemos a olhar para o passado em jeito de balanço; mas, curiosamente, arrependemo-nos sobretudo do que não fizemos nem vamos já a tempo de fazer. Cá em casa, tentamos, mesmo assim, combater o vazio mostrando um ao outro o que foi a nossa vida antes de estarmos juntos e revisitando os lugares que nos marcaram. Já fomos, por exemplo, a Macieira de Cambra em busca de uma rapariga com quem o Manel dançara um Verão inteiro (e encontrámo-la, mas era tudo menos uma rapariga); e, mais recentemente, por causa de um casamento no Gerês, fizemos um desvio para eu ir ver o hotel das termas onde ele passava férias com os avós quando era adolescente. Ainda hoje o Manel me fala com saudade daqueles julhos pachorrentos, entre passeios ao rio Homem e jogos de cartas numa varanda larga onde as senhoras inventavam napperons e mexericos, enquanto os maridos, de barrigas fartas de tripas e francesinhas no ano inteiro, tratavam dos intestinos com as águas milagrosas de Caldelas. Nas redondezas, havia, ao que parece, uma imensidão de campos; e, por causa das vacas que ali pastavam, os hóspedes não conseguiam dar descanso aos mata-moscas, ameaçados pelas ferradelas das danadas que, não bastando zumbirem irritantemente, ainda tinham o hábito de pousar onde se sabe.