Irmãos de Louçã entre 26 bloquistas que bateram com a porta

Grupo de militantes do Bloco de Esquerda pediram a desvinculação do partido.

O atual rumo político do partido e a forma como esta organização lidou com o caso do bairro do Jamaica são as principais razões invocadas por 26 militantes do Bloco de Esquerda que, nesta terça-feira, pediram a desvinculação do partido. Entre eles contam-se Isabel Maria Louçã e João Carlos Louçã, os dois irmãos do ex-líder e fundador Francisco Louçã.

Em carta endereçada à Mesa Nacional do Bloco, que entretanto foi divulgada nas redes sociais, estes militantes afirmam que resolveram bater com a porta por não poder "ignorar o caminho de institucionalização dos últimos anos que transformaram o partido, de instrumento de luta política, num fim em si mesmo".

"O taticismo de decisões, o jogo da comunicação na sua forma burguesa, a progressiva ausência de qualquer ativismo local inserido numa estratégia de construção do partido, a progressiva ausência de pensamento crítico acompanhada pela hostilização da divergência interna e profundo sectarismo com outras forças de esquerda, transformaram o Bloco de Esquerda num projeto reformista centrado na sua própria sobrevivência", lê-se no texto da carta.

Como exemplo deste "taticismo" de ações, os signatários sublinham a "posição tíbia" do partido relativamente ao caso das agressões no bairro da Jamaica, no Seixal, acusando os líderes bloquistas de "ocultar esse racismo sistémico das forças de segurança e dos agentes do Estado".

Para estes agora ex-militantes, o facto de ter sido um assessor do partido - Mamadou Ba - quem "protagonizou a denúncia de serem as forças policiais responsáveis por um racismo sistémico dirigido contra africanos e afrodescendentes dos bairros pobres", provou um "desconforto" no interior da organização que não é aceitável.

A atual direção do Bloco de Esquerda é ainda acusada de não deixar "espaço para a construção coletiva, perseguindo e expulsando militantes, manipulando eleições internas de forma a garantir a ficção de um partido coeso".

Leia AQUI a carta na íntegra

Ler mais

Exclusivos

Premium

Pedro Lains

O Banco de Portugal está preso a uma história que tem de reconhecer para mudar

Tem custado ao Banco de Portugal adaptar-se ao quadro institucional decorrente da criação do euro. A melhor prova disso é a fraca capacidade de intervir no ordenamento do sistema bancário nacional. As necessárias decisões acontecem quase sempre tarde, de forma pouco consistente e com escasso escrutínio público. Como se pode alterar esta situação, dentro dos limites impostos pelas regras da zona euro, em que os bancos centrais nacionais respondem sobretudo ao BCE? A resposta é difícil, mas ajuda compreender e reconhecer melhor o problema.