Incêndios: Rui Rio diz que PSD não fala com casas a arder

Rio foi o último líder partidário a visitar esta zona afetada pelos incêndios.

Rui Rio acusou esta sexta-feira os responsáveis pelo combate ao incêndio de Monchique de "incapacidade de articular e coordenar" os meios de combate, e disse que o PSD "não fala com as casas a arderem".

"Principalmente no último ano e depois de Pedrógão [Grande], e justamente porque Monchique estava sinalizado percebi que não se fez aquilo que se deveria ter feito ao longo dos anos para evitar o que aconteceu", afirmou o presidente do PSD aos jornalistas durante a visita que fez hoje a este concelho do distrito de Faro.

Rui Rio, o último líder partidário a visitar esta zona afetada pelos incêndios, explicou a razão de ainda não ter ido ao terreno.

"O PSD não se pronuncia com casas a arder nem numa altura em que estão mais empenhados os meios a combater o fogo", disse Rui Rio continuando: "O presidente do PSD não fala mesmo com as casas a arderem, a mata a arder e as pessoas a sofrer. Não fala porque respeita as pessoas e os seus sentimentos e a perda do património".

Portanto, frisou, "quando está a arder, o PSD não ajuda só se não puder, não faz oposição".

"Isto pode ser clarinho como água, que é a minha maneira de ser e não muda. Depois das coisas acabarem, ficamos em condições, então sim, de fazer algum balanço e foi isso que o PSD fez pela voz de um vice-presidente", destacou.

Na opinião do líder social-democrata, os meios de combate ao fogo em Monchique, estiveram em número "como nunca terá havido na história de Portugal", tendo existido uma completa incapacidade de coordenar e articular o combate ao incêndio e dos meios".

"Acabaram por haver meios a mais dada a incapacidade de articulação", sublinhou.

Rui Rio acrescentou que, pelo que ouviu, houve muitas outras coisas que falharam e outras não, nomeadamente no resultado, no que se refere à poupança de vidas humanas, "porque ninguém morreu".

Contudo, referiu, numa alusão à atuação da Guarda Nacional Republicana, a existência de "alguns abusos no tratamento de pessoas que, na ânsia de não haver essas mortes, o que é positivo, mas com algum exagero e a uma distância muito grande do incêndio e com alguma violência, obrigaram as pessoas a sair de casa".

"As pessoas têm de ser tratadas com dignidade e respeito", acentuou.

Quanto às medidas anunciadas pelo Governo para ajudar as populações afetadas pelo fogo, o líder do PSD considerou que "são positivas, porque nenhum Governo anuncia medidas que não são boas, mas a questão que se coloca, é que a partir de agora uma vez anunciadas as medidas, qual a consequência e a atuação no terreno".

"Vão ou não as pessoas afetadas pelo fogo conseguir ter os apoios de uma forma mais eficaz, mais célere e mais justa, do que aquilo que está a acontecer em relação aos incêndios de 2017", questionou o líder dos social-democratas, ressalvando que as medidas anunciadas "serão uma parte daquilo que será necessário".

O incêndio rural, combatido por mais de mil operacionais, deflagrou em Monchique (no distrito de Faro) no dia 3 de agosto e foi dominado no dia 10, depois de afetar também o concelho vizinho de Silves e, com menor impacto, Portimão (no mesmo distrito) e Odemira (Beja).

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