F-16 portugueses mantêm alerta permanente nos Bálticos

Investigação ao caça espanhol que disparou míssil por engano na Estónia vai decorrer nos moldes das que são feitas nos acidentes aéreos.

Os F-16 portugueses nos Bálticos estão em alerta permanente por serem a força de reação rápida da NATO, enquanto os caças franceses e espanhóis têm assumido essa responsabilidade de forma alternada, disse nesta quinta-feira fonte militar ao DN.

"Para Portugal não muda nada" porque lidera a missão da NATO, explicou o porta-voz do Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA), comandante Coelho Dias.

Na sequência do disparo do míssil por engano na Estónia, na terça-feira, a Aliança decidiu parar os caças espanhóis até à conclusão do inquérito para perceber como e porquê um deles disparou um míssil AMRAAM.

Como França e Espanha "vão alternando" os períodos de alerta, "quem assume" os dos espanhóis "são os franceses" até à conclusão do inquérito, adiantou Coelho Dias, desconhecendo qual dos países estava na terça-feira de alerta com Portugal (e o outro em ações de treino).

Fontes militares explicaram, sob anonimato por não estarem autorizadas a falar, que a investigação em curso decorrerá de forma "muito semelhante" às que se faz em caso de acidentes aéreos.

Como "fica tudo gravado", os investigadores espanhóis e da NATO vão averiguar "se o tiro foi propositado, se foi inopinado, se foi erro humano", precisou uma das fontes, considerando improvável que os portugueses participem nesse processo.

Note-se que os caças franceses Mirage 2000 operam a partir da base aérea estónia de Amari, enquanto os Eurofighter espanhóis estão sedeados na base lituana de Siauliai - ao lado dos F-16 portugueses, a quem cabe o controlo tático e operacional da missão.

Os três países assumem desde maio e até setembro a defesa aérea dos países bálticos, no quadro da chamada Missão de Patrulhamento Aéreo (Baltic Air Policing, em inglês) que a NATO ali cumpre há década e meia.

Para Portugal, que concluiu nesta semana a última rotação do seu contingente de 90 militares da Força Aérea, esta é a quarta vez que participa no patrulhamento aéreo dos Bálticos (depois de 2007, 2014 e 2016).

Os F-16 portugueses estão ao nível dos melhores caças existentes na Europa. A título de exemplo, o míssil ar-ar de médio alcance AMRAAM disparado quarta-feira pelo Eurofighter espanhol é da versão B enquanto a Força Aérea utiliza a mais avançada C5.

Ler mais

Premium

João Gobern

Tirar a nódoa

São poucas as "fugas", poucos os desvios à honestidade intelectual que irritem mais do que a apropriação do alheio em conluio com a apresentação do mesmo com outra "assinatura". É vulgarmente referido como plágio e, em muitos casos, serve para disfarçar a preguiça, para fintar a falta de inspiração (ou "bloqueio", se preferirem), para funcionar como via rápida para um destino em que parece não importar o património alheio. No meio jornalístico, tive a sorte de me deparar com poucos casos dessa prática repulsiva - e alguns deles até apresentavam atenuantes profundas. Mas também tive o azar de me cruzar, por alguns meses, tempo ainda assim demasiado, com um diretor que tinha amealhado créditos ao publicar como sua uma tese universitária, revertido para (longo) artigo de jornal. A tese e a história "passaram", o diretor foi ficando. Até hoje, porque muitos desconhecem essa nódoa e outros preferiram olhar para o lado enquanto o promoviam.

Premium

Rogério Casanova

Três mil anos de pesca e praia

Parecem cagalhões... Tudo podre, caralho... A minha sanita depois de eu cagar é mais limpa do que isto!" Foi com esta retórica inspiradora - uma montagem de excertos poéticos da primeira edição - que começou a nova temporada de Pesadelo na Cozinha (TVI), versão nacional da franchise Kitchen Nightmares, um dos pontos altos dessa heroica vaga de programas televisivos do início do século, baseados na criativa destruição psicológica de pessoas sem qualquer jeito para fazer aquilo que desejavam fazer - um riquíssimo filão que nos legou relíquias culturais como Gordon Ramsay, Simon Cowell, Moura dos Santos e o futuro Presidente dos Estados Unidos. O formato em apreço é de uma elegante simplicidade: um restaurante em dificuldades pede ajuda a um reputado chefe de cozinha, que aparece no estabelecimento, renova o equipamento e insulta filantropicamente todo o pessoal, num esforço generoso para protelar a inevitável falência durante seis meses, enquanto várias câmaras trémulas o filmam a arremessar frigideiras pela janela ou a pronunciar aos gritos o nome de vários legumes.