Ex-responsáveis da PJ Militar voltam a ser interrogados pelo Ministério Público

Ex-diretor da PJM coronel Luís Vieira, que está em prisão preventiva, vai ser ouvido uma segunda vez no dia 23. Antes, no dia 16, será ouvido o ex-porta-voz da PJM, o major Vasco Brazão. O coronel tem uma versão diferente da do major e desmente que tenha sido entregue ao ministro um memorando a relatar o alegado encobrimento na recuperação das armas roubadas de Tancos.

O coronel Luís Vieira volta a ser interrogado pelo Ministério Público no próximo dia 23, confirmou ao DN fonte da defesa do ex-diretor da Polícia Judiciária Militar (PJM), que está em prisão preventiva no âmbito da Operação Húbris.

Já o antigo porta-voz da PJM major Vasco Brazão volta a ser inquerido pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), a seu pedido, na próxima terça-feira (16), disse à Lusa o advogado Ricardo Sá Fernandes.

A data dos segundos interrogatórios ao ex-diretor da PJM e ao ex-porta-voz é conhecida no mesmo dia em que se sabe que Luís Vieira nega que tenha sido entregue ao chefe de gabinete do ministro da Defesa um memorando a relatar o alegado encobrimento que levou à recuperação das armas roubadas dos paióis de Tancos.

Luís Vieira, noticia o Expresso, terá contudo confirmado a reunião no Ministério da Defesa. Mas desconhece que Vasco Brazão, ex-porta-voz da PJM, tenha entregado ao chefe de gabinete do ministro um memorando a relatar a alegada encenação para recuperar as armas, na qual a PJM teve a ajuda da GNR de Loulé. A reunião com o então chefe de gabinete de Azeredo Lopes é o dado que coincide com a versão de Brazão, que está em prisão domiciliária depois de ser interrogado, o que só aconteceu após o seu regresso da República Centro Africana.

De acordo com o Expresso, o coronel terá dito que a reunião teve imediatamente lugar um dia depois de as armas terem sido recuperadas a 18 de outubro. E nesse encontro foi entregue um documento ao chefe de gabinete do ministro, tenente-general Martins Pereira, em que se relatava que a descoberta do material na Chamusca se devia a uma chamada anónima. Ou seja, esse relatório não tinha referência a qualquer encobrimento ou que o telefonema tinha sido encenado por elementos da própria PJM.

A versão de Brazão é diferente: por um lado diz que era apenas página e meia sem timbre, data ou assinaturas (Luís Vieira fala em várias páginas com o timbre da PJM) e, por outro, que a reunião no ministério de Azeredo Lopes aconteceu semanas depois do armamento ter sido recuperado. Mais: que nesse memorando estava explicada a encenação para reaver o material furtado quatro meses antes.

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