Rangel insiste: "Porque é que não vai nenhum ex-líder à campanha do PS?"

Em jantar-comício em Coimbra, o cabeça-de lista social-democrata estranhou a ausência de antigos líderes na campanha socialista e questionou se PS se está a transformar "no partido unipessoal" de António Costa.

O cabeça-de-lista do PSD às europeias, Paulo Rangel, questionou esta quarta-feira se o PS se está a "transformar no partido unipessoal" de António Costa, estranhando a ausência de antigos líderes na campanha socialista.

Num jantar-comício para "quase 700 pessoas", nas palavras do candidato, Rangel lamentou que o PS critique o PSD por trazer à sua campanha ex-líderes do partido, como Passos Coelho, Ferreira Leite ou Luís Filipe Menezes.

"Porque é que não vai nenhum ex-líder à campanha do PS? Será que o PS se está a transformar num partido unipessoal, que é o partido de Costa e apenas de Costa e mais ninguém?", questionou, retomando o desafio lançado ao almoço de quarta-feira por Menezes para que os socialistas levem à campanha Vítor Constâncio ou António José Seguro.

Recorde-se que Constâncio não participa em ações partidárias desde que foi para o BCE, em 2010, como vice-presidente do Banco Central Europeu (onde esteve até 2018) e que Seguro, depois de derrotado nas eleições primárias socialistas de 2014 abandonou a atividade político-partidária por opção própria.

O eurodeputado acusou ainda o PS de "uma profunda dissonância" nas posições em relação aos liberais europeus tomadas pelo primeiro-ministro, António Costa, e o ministro e dirigente do PS Pedro Nuno Santos. "Mas afinal que PS é este? É o PS de Costa em Lisboa, é o PS de Costa em Paris ou é o PS de Pedro Nuno Santos em Aveiro?", desafiou, acusando o primeiro-ministro de uma "espargata ideológica" ao estar coligado com BE e PCP.

Depois de na segunda-feira o primeiro-ministro se ter reunido com o Presidente francês Emmanuel Mácron, e defendido a importância da criação de "uma coligação de progresso e futuro" após as eleições europeias entre as forças políticas que pretendem construir a próxima etapa do projeto europeu, o dirigente socialista Pedro Nuno Santos defendeu na terça-feira à noite, num comício em Aveiro, que os socialistas devem assumir também na Europa uma dialética de "tensão permanente" face aos liberais.

"Há uma profunda dissonância do PS e isso está a ser feito em plena campanha eleitoral", acusou Rangel, justificando que António Costa quer "aparecer ao lado líderes internacionais com influência" e "não há socialistas de renome internacional".

Num espaço histórico para o PSD em Coimbra, o pavilhão dos Olivais, Paulo Rangel acusou ainda o PS de "esconder alguns dos seus candidatos", dizendo que o número três da lista, Pedro Silva Pereira, "o antigo braço direito de José Sócrates, ainda não apareceu em nenhuma ação de campanha".

Antes, o presidente do Conselho Nacional do PSD, Paulo Mota Pinto, centrou também as suas críticas na lista do PS e no facto de nela estarem vários ex-ministros do Governo de António Costa. "Ou estavam a fazer bem no Governo e não deviam ter saído ou estavam a fazer mal e vão fazer mal para o Parlamento Europeu", criticou.

O dirigente social-democrata apelou ainda aos portugueses para que "não se deixem enganar por aqueles que querem retirar aos portugueses a decisão", numa referência às sondagens desfavoráveis para o partido. "Esses vão ter uma lição no domingo", anteviu.

Esta quarta-feira à noite foi também a noite da estreia em comícios da número dois da lista, Lídia Pereira, de 27 anos, que fez um discurso centrado sobretudo nos problemas de Coimbra, de onde é natural, e nos problemas dos jovens. "Não importa quanto ruído faz o PS na tentativa de desinformar, a nossa mensagem chegará aos portugueses", afirmou.

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