Estado já deu 1,5 milhões de euros em benefícios fiscais a filha do ditador Obiang

Empresária abriu duas empresas na Zona Franca da Madeira, pagando por isso apenas 5% de IRC. Gerente das duas sociedades está ligado a mais 19 empresas, 15 das quais com a mesma morada

O Estado português já deu 1,5 milhões de euros em benefícios fiscais a duas empresas de uma filha do ditador Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, que dirige com mão pesada a Guiné Equatorial desde 1979.

Segundo o jornal Público, a empresária Francisca Nguema Jiménez (que também assina como Francisca Obiang Jiménez), nascida em 25 de março de 1975, abriu duas empresas na Zona Franca da Madeira: a sociedade Coralco (em 2013), detida a 100% pela filha de Obiang, e a Masela (em 2018), que é participada em partes iguais por Francisca e pela... Coralco.

Presidente da agência da Guiné Equatorial para obras públicas, nomeada pelo pai - e a teia de familiares de Obiang que gerem negócios e instituições do Estado é extensa -, Francisca Nguema Jiménez beneficiou de 1,5 milhões de euros por pagar 5% de IRC só por estar naquela zona franca, apesar de não se conhecer qualquer atividade das duas empresas na região e de esta ser uma condição para usufruir do regime fiscal especial desta zona.

Não se conhece qualquer atividade das duas empresas na região

O gerente das duas sociedades (que não têm site) da empresária equato-guineense é Francisco José de Gouveia, que está ligado a mais 19 empresas (como gerente, representante ou administrador), 15 das quais com sede na mesma morada, no Funchal: na Rua Dr. Brito Câmara, n.º 20, 1.º andar. Gouveia não respondeu às questões do Público, como também não respondeu o escritório que representará a empresária em Espanha, L&S Abogados.

Apesar de, na zona franca da Madeira, se saber quem são as empresas e os donos, observadores internacionais têm alertado para relações privilegiadas desta zona com praças financeiras pouco ou nada transparentes.

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