Costa quer seguir caminho com a geringonça "no coração". Mas devagarinho

Costa lançou avisos à esquerda, críticas à direita e elogiou a ação do governo. E a geringonça? "Enquanto houver caminho para percorrer devemos percorrê-lo", mas "sem recuos e sem ficar a marcar passo"

Terminou a discussão parlamentar do Estado da Nação. Um debate cheio de avisos das bancadas da esquerda, que questionaram repetidamente António Costa sobre o caminho que pretende seguir no último ano da legislatura, e com o primeiro-ministro a avisar que nem sempre se pode avançar a grande velocidade - "Não vamos pôr o travão, mas temos de moderar a velocidade". "Não somos santos milagreiros", diria António Costa durante o debate. Siza Vieira, ministro-adjunto, repetiu a mensagem no encerramento: "Não podemos dar passos maiores do que a perna, mas o nosso passo é agora mais firme".

"Não vamos pôr o travão, mas temos de moderar a velocidade", avisou Costa

À esquerda, com acento nas dificuldades do Serviço Nacional de Saúde e na necessidade de maior investimento público, ouviram-se reparos à ação do governo. "Não vai tudo bem", avisou Catarina Martins, líder do Bloco de Esquerda. "É preciso fazer escolhas", o país precisa de "respostas claras", sublinhou também Jerónimo de Sousa. "É um problema se o governo resolver fazer marcha atrás, como está a fazer na legislação laboral", alertou igualmente Heloísa Apolónia. Divergências que tiveram como pano de fundo permanente as metas impostas por Bruxelas - "É cada vez mais difícil ao Governo explicar as suas escolhas europeias", criticou a líder bloquista.

No debate desta sexta-feira ecoaram também as palavras do ministro Augusto Santos Silva, que disse que uma nova geringonça na próxima legislatura exigirá maior compromisso, nomeadamente em matérias europeias. O BE disse, ironicamente, que sim. Heloísa Apolónia despachou a questão de outra forma: "Convidamo-lo aqui a deixar de fazer futurologia".

António Costa rejeitou sempre que esteja a afastar-se do caminho acordado com os parceiros em 2015, e garantiu empenho nesta solução de governo, agora que a legislatura entra na reta final: "A geringonça não está só no nosso coração, como na nossa cabeça". Também Carlos César, líder parlamentar socialista, sublinhou o papel dos parceiros da esquerda na governação, partilhando com eles o "sucesso", mas também "as dificuldades".

À direita, PSD e CDS traçaram um retrato negro do Estado da Nação, com Fernando Negrão a defender que o governo está "esgotado" e a apontar as dificuldades do Serviço Nacional de Saúde como exemplo disso mesmo. E atirou aos partidos que sustentam a maioria:"A natureza desta maioria de esquerda é a do escorpião". Naquela que foi a sua primeira intervenção como líder parlamentar, num debate do Estado da Nação, foi brindado com uma entusiasta ovação da bancada social-democrata.

Também Assunção Cristas não poupou críticas ao estado do país. Mas também visou o PSD pelo caminho, afirmando que o CDS é "uma alternativa que não sonha com um Bloco Central".

RECORDE AQUI O DEBATE SOBRE O ESTADO DA NAÇÃO

Ler mais

Exclusivos

Premium

Opinião

Os irados e o PAN

A TVI fez uma reportagem sobre um grupo de nome IRA, Intervenção e Resgate Animal. Retirados alguns erros na peça, como, por exemplo, tomar por sério um vídeo claramente satírico, mostra-se que estamos perante uma organização de justiceiros. Basta, aliás, ir à página deste grupo - que tem 136 000 seguidores - no Facebook para ter a confirmação inequívoca de que é um grupo de gente que despreza a lei e as instituições democráticas e que decidiu fazer aquilo que acha que é justiça pelas suas próprias mãos.

Premium

Margarida Balseiro Lopes

Falta (transparência) de financiamento na ciência

No início de 2018 foi apresentado em Portugal um relatório da OCDE sobre Ensino Superior e a Ciência. No diagnóstico feito à situação portuguesa conclui-se que é imperativa a necessidade de reformar e reorganizar a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), de aumentar a sua capacidade de gestão estratégica e de afastar o risco de captura de financiamento por áreas ou grupos. Quase um ano depois, relativamente a estas medidas que se impunham, o governo nada fez.