Embaixador espera que EUA não retaliem

Martins da Cruz convicto que António Vitorino dará maior importância internacional à organização da ONU para as Migrações.

O antigo ministro dos Negócios Estrangeiros António Martins da Cruz disse esta sexta-feira esperar que os EUA "não se retirem" da Organização Internacional das Migrações (OIM), devido à derrota do seu candidato para diretor-geral.

António Vitorino foi eleito esta sexta-feira como diretor-geral da OIM em Genebra, na quarta ronda de votações, vencendo os candidatos dos EUA - que há cerca de 50 anos ocupavam ininterruptamente o cargo - e da Costa Rica.

Convicto que António Vitorino "saberá dar à OIM uma importância internacional que não tem agora", o embaixador reconheceu ao DN que o resultado da eleição "é obviamente uma derrota dos EUA".

Agora "esperamos todos é que os EUA, porque perderam esta eleição, não se retirem da organização como fizeram" na UNESCO, ou na Comissão dos Direitos Humanos, "ou tenham retaliações, diminuindo ou cortando mesmo a sua contribuição, que é bastante importante", alertou Martins da Cruz.

Frisando que a OIM "saiu há alguns anos da clandestinidade em que estava" com a sua integração nas Nações Unidas, o que lhe "deu uma nova dinâmica", o antigo embaixador de Portugal junto da NATO defendeu que António Vitorino "pode dar um contributo muito importante para a resolução" do problema das migrações.

"É uma oportunidade, porque nunca se falou tanto de migrações como agora", argumentou Martins da Cruz , sublinhando que a vitória de Vitorino "deve-se ao perfil do candidato", bem como à "diplomacia portuguesa e concretamente ao embaixador Pedro Bártolo".

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