Eleições europeias. "Ficar em casa é um erro"

Presidente apela à participação cívica no ato eleitoral deste domingo: "votar é não desistir da liberdade de mandar no nosso futuro."

O Presidente da República começa a tradicional mensagem que antecede os atos eleitorais com uma questão preocupante para os agentes políticos - a abstenção, que nas eleições europeias tende a ser elevadíssima, com valores que há cinco anos superaram os 66%. Marcelo Rebelo de Sousa diz que até percebe que seja apetecível ficar em casa, mas que isso "é um erro". Argumentos presidenciais para os portugueses irem votar este domingo: a Europa decide a nossa vida - "vai tomar decisões fundamentais para o nosso futuro" - e é de lá que têm vindo os fundos para apoiar o desenvolvimento do país.

"Venho pedir que esqueçais o que vos desgostou na campanha eleitoral, ou a tentação de pensar que é um voto incómodo, um voto desinteressante, um voto desnecessário", apela Marcelo.

Há eleições legislativas daqui a quatro meses e "é, por isso, tentador ficar em casa e deixar a outros o encargo de irem votar, guardando para outubro o voto considerado essencial."

Mas esse, frisa ao longo de todo o discurso, é pensamento errado. "Na Europa se tomam decisões que marcam o nosso presente e o nosso futuro - nas finanças, na economia, no emprego, na formação, nas escolas, no ambiente, nas estradas, no digital, na inovação", disse o afirmou chefe de Estado na mensagem divulgada este sábado.

Para logo acrescentar: "Na Europa temos tido apoio, com fundos, para fazermos muito do que sozinhos faríamos com maior custo e para mantermos, em momentos difíceis, a capacidade de nos financiarmos lá fora."

"Na Europa se tomam decisões que marcam o nosso presente e o nosso futuro."

Marcelo apela a que os portugueses deem uns minutos do seu domingo para fazer uma escolha, para que depois não se queixem da UE. "Peço-vos esse pequeno sacrifício que é não deixar nas mãos de 20% ou de 25% a decisão que é de todos. Até por uma razão muito simples, para no dia seguinte, não terdes, não termos, de recomeçar o queixume de que a Europa, a que pertencemos, está errada, de que a Europa não nos entende, de que a Europa não nos apoia como deveria fazê-lo, de que a Europa não é suficientemente solidária, de que a Europa se encontra dominada por aqueles que não queremos, nem aceitamos. Tudo porque a maioria esmagadora escolheu não escolher. Ou melhor, escolheu não dedicar, amanhã, uns minutos do seu tempo àquilo que vai determinar os próximos cinco ano da nossa vida."

O presidente chega mesmo a dizer aos portugueses que esqueçam o que os desgostou na campanha eleitoral e a pedir-lhes que afastem o incómodo de ir votar: "Assim começou, em tantos casos, a fraqueza das democracias. Assim começou, vezes demais, o caminho para a sedução dos poderes absolutos."

Votar não é só para os outros

Num apelo à participação eleitoral, o Presidente pede ainda que se afaste "o comodismo de achar que votar é para os outros, para os núcleos duros dos partidos, para os entendidos, para os mesmos de sempre". E num dos argumentos para que eleitores não fiquem em casa, lembra que esta é a única oportunidade para escolher os responsáveis europeus. E que ninguém deve abdicar de o fazer porque "a Europa vai tomar, nos próximos meses e nos próximos anos, decisões fundamentais para o nosso futuro".

Marcelo diz que sabe que este domingo não se escolhe o Presidente da República, os deputados à Assembleia da República, os governos ou autarquias, mas votar nas eleições europeias "é não desistir da liberdade de mandar no nosso futuro."

Taxa de abstenção nas eleições europeias em Portugal:

2014: 66,16%

2009: 63,22%

2004: 61,40%

1999: 60,07%

1994: 64,46%

1989: 48,90%

1987: 27,58%

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