Cristas diz que obras nas escolas básicas de Lisboa estão "profundamente atrasadas"

A vereadora da CDS-PP na Câmara de Lisboa critica Fernando Medina por ser "muito criativo noutras matérias", mas por preterir a intervenção nas escolas básicas. A autarquia explicou que as escolas não estão esquecidas e que o estudo para priorizar obras nas escolas está em curso.

A presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, criticou esta terça-feira a Câmara Municipal de Lisboa pelo atraso nas obras de reabilitação das escolas básicas da cidade, mas a autarquia confirmou ao DN que o relatório para definir as escolas com intervenção prioritária, produzido pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), deverá ser entregue em dezembro.

Depois de um périplo pela escola básica de primeiro ciclo O Leão de Arroios, em Lisboa, Assunção Cristas, que também é vereadora sem pelouro no município da capital, disse aos jornalistas que o edifício tem problemas na infraestrutura como, por exemplo, nas "saídas de emergência", uma vez que "não são adequadas, nem funcionais".

"Há aspetos estruturais do edifício que são difíceis de resolver", vincou, acrescentando que os problemas do edificado "que são mais fáceis de resolver, são da competência da Câmara de Lisboa",de que a autarquia tem conhecimento "há muito tempo" e, por isso, o CDS-PP não compreende "porque é que [o executivo liderado por Fernando Medina (PS)] continua sem resolver estes aspetos".

A vereadora afirmou também a existência de questões que "têm que ver com a Câmara e com o Ministério [da Educação] ", referentes à falta de funcionários: "Não estão resolvidas e vamos continuar a reclamar para que haja intervenções nesta escola."

"Sabemos que há muitas intervenções a decorrer em Lisboa, nas escolas, muitas delas profundamente atrasadas", continuou, acrescentando "a lista de escolas a serem intervencionadas é grande, mas olhamos para o calendário de execução e, às vezes, são execuções que não ultrapassam os 10 ou 30%".

Cristas considera, por isso, que as obras "estão muito atrasadas, o que significa que a Câmara não tem capacidade de ação e resolução de problemas concretos do dia-a-dia" da cidade.

A líder do CDS-PP criticou ainda "a falta de aproveitamento do período de férias para acelerar" as obras e teceu críticas a Medina: "Vemos um presidente da Câmara muito criativo noutras matérias, infelizmente nestas, que são da sua direta responsabilidade e onde podia fazer a diferenças, não faz".

Em 12 de julho, a Câmara Municipal de Lisboa aprovou uma proposta do ex-vereador Ricardo Robles para estabelecer um protocolo com o LNEC para fazer "o levantamento exaustivo do estado de conservação de estabelecimentos escolares", de acordo com o documento a que a agência Lusa teve acesso na altura.

Questionado pelo DN, o gabinete do vereador da Educação, Manuel Grilo (BE, que assumiu também o pelouro dos Direitos Sociais depois de uma acordo firmado com o PS depois das eleições autárquicas de 2017), avançou que "o protocolo foi assinado no dia 30 de julho e prevê um prazo inicial de entrega de relatório de cinco meses após a assinatura" do documento.

O comunicado também refere que depois desse período é "feita uma avaliação pela Câmara sobre o relatório para elaborar um plano de obras para as escolas analisadas".

"Os técnicos do LNEC estão neste momento a realizar esse levantamento, que será feito em todas as escolas públicas de primeiro ciclo" em Lisboa. O estudo "prevê um total de 55 escolas a serem analisadas" e a escola O Leão de Arroios é uma das contempladas.

Apenas vão ser excluídas as escolas "que já estão em obras, em projeto ou que tenham sido inauguradas há menos de dois anos". A informação enviada também afirma que o estudo foi solicitado para haver "uma decisão rigorosa e baseada em pareceres técnicos sobre quais as prioridades de intervenção nas escolas", uma vez que "anteriormente, esta decisão passava simplesmente por uma decisão do vereador, sem necessitar de estudos técnicos".

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