Costa desvaloriza polémica com comboio fretado pelo PS

O primeiro-ministro já comentou o caso da admissão pela CP de que o comboio fretado pelo PS para a rentrée em Caminha pode causar atrasos na circulação ferroviária.

"É um serviço comercial absolutamente normal que é feito a qualquer tipo de cliente [e] que é haver um comboio fretado."

Citado pela TSF, o primeiro-ministro desvalorizou assim, esta sexta-feira, a polémica em torno do comboio fretado pelo PS para transportar militantes até à rentrée do partido em Caminha (Viana do Castelo). Costa falava aos jornalistas durante um passeio pelos Passadiços do Paiva (Arouca, distrito de Aveiro).

Documentos internos da CP revelados pelo Observador mostram que o referido comboio - que fará o percurso Lisboa-Pinhal Novo-Caminha (ida e volta) - poderá causar atrasos na circulação de outros comboios.

Uma fonte oficial da empresa disse aquele jornal que a admissão de atrasos nestas circunstâncias "é um procedimento regular".

Já o secretário nacional do PS para a organização, Luís Patrão, diz que a iniciativa do partido de fretar um comboio para levar militantes até à rentrée é um procedimento "absolutamente standard": "Desde 2015 que o fazemos todos os anos."

Segundo Patrão, o custo ronda os 13 mil euros e o comboio tem duas vantagens sobre, por exemplo, o aluguer de camionetas: é mais ecológico e proporciona mais convívio entre os militantes. "Para levar o número de militantes que um comboio leva era preciso pôr uns 15 autocarros na estrada", explicou.

Na oposição, o CDS tem-se destacado a denunciar as consequências na CP de uma suposta falta de investimento público. Os centristas pediram uma reunião urgente da Comissão Permanente da AR (órgão que substitui o plenário durante as férias). O requerimento do CDS será discutido segunda-feira, em conferência de líderes.

Os centristas consideram existir uma "situação urgente e dramática para muitos portugueses" de "caos e colapso de serviços públicos", nomeadamente na ferrovia e urgências hospitalares e ontem o deputado Telmo Correia começou a explorar o caso do comboio fretado pelo PS para a sua rentrée: "Constatámos que o PS vai ter brevemente a sua 'Festa de Verão' e utilizará um 'comboio especial'. É normal e natural que quem tem comboios especiais, não sei se com catering ou sem, provavelmente, com ar condicionado, não esteja preocupado com a situação dos portugueses, que é de comboios que não existem, não funcionam em condições e, muitos deles, foram suprimidos."

O PSD já reagiu. "É incompreensível para o PSD que a CP esteja neste estado e o PS, como partido que suporta o Governo, deverá ponderar e pensar como vai resolver o problema futuro da CP. Agora, também achamos incompreensível que a CP sobreponha a outros serviços este serviço especial. Não compreendemos que os portugueses possam vir a ser prejudicados por este serviço especial do PS", disse aos jornalistas no Parlamento o deputado Carlos Silva.

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