Costa continua a pressionar esquerda para aprovar OE

O líder do PS aproveitou a "rentrée" do partido em Caminha para voltar a fazer avisos ao BE, PCP e PEV

Uma eventual rutura na geringonça devido a cálculos eleitorais poderá levar a esquerda toda no seu conjunto à derrota nas legislativas de 2019.

"Um voto que se ganha pode ser um país que se perde", afirmou esta tarde António Costa no comício de 'rentrée' do PS em Caminha - uma festa comício onde a mobilização do partido não foi suficiente para encher o recinto (um espaço no Parque 25 de Abril) e que também foi marcada por um pequeno mas muito ruidoso protesto dos lesados do Novo Banco.

O líder socialista tentou explorar a favor do seu partido os efeitos do voto útil dizendo que "não há nenhum governo progressista em Portugal sem o PS e sem que o PS tenha força para fazer esse governo". Ou seja: "Eles [os parceiros da geringonça] têm sido essenciais mas o PS é imprescindível para que haja um governo de esquerda."

Por isso - acrescentou - "é absolutamente essencial dar força ao PS" nas eleições que se aproximam - europeias, legislativas e regionais da Madeira - para se poder "dar continuidade" às políticas de devolução de direitos e rendimentos postas em prática desde 2015.

Contudo, no curto prazo, é importante que o próximo Orçamento passe porque é "fundamental não estragar o que já produzimos". Dirigindo-se claramente ao BE, PCP e PEV, reforçaria: "Não podemos pôr em causa nem a estabilidade política nem ter uma gestão orçamental irresponsável que faça derrapar o défice e aumentar a dívida". Dito por outras palavras: "Não vamos pôr em causa nem o acordo [das esquerdas] nem o rigor [orçamental]."

Numa aparente tentativa implícita de se demarcar da herança socrática, António Costa sublinharia ainda o seu objetivo pessoal como primeiro-ministro: "No dia em que cessar funções não deixarei o país pior do que o encontrei, deixarei muito melhor."

"Maioria absoluta" foi, mais uma vez, uma expressão que evitou. "Não gosto de tabus e por isso deixo claro que só temos uma meta: ganhar nas legislativas, ganhar nas europeias, e pela primeira vez ganhar na Madeira."

OE "maior de sempre" para a Cultura

O secretário-geral do PS revelou ainda que o Orçamento de Estado para 2019 "vai ser o maior de sempre" para a Cultura, que a Ciência terá um grande "aumento orçamental" e que se vai "continuar a investir" na Educação.

Costa, apontou como objetivo ganhar as eleições legislativas, europeias e as regionais da Madeira, repetindo várias vezes que "é preciso dar mais força ao PS" e que só com o partido poderá haver um "governo progressista" sem nunca apelar de forma direta à maioria absoluta em qualquer um dos atos eleitorais.

"Temos que apostar na inovação e apostar na inovação significa investir na Cultura, na Ciência e na Educação. É por isso que o Orçamento do próximo ano vai ser o maior orçamento de sempre na Cultura, entre aquilo que se investe na criação artística, no ensino artístico e na promoção da língua", prometeu António Costa.

Quanto à Ciência, o líder do PS e primeiro-ministro revelou que "no próximo ano a Ciência vai ter o maior aumento orçamental" no conjunto das áreas: "Designadamente vamos permitir cumprir o compromisso de criar cinco mil lugares de emprego científico, entre setor público e privado, de forma a criarmos mais emprego qualificado para a nova gerações qualificada que está a sair dos nossos politécnicos e universidade", enumerou.

Além disso, acrescentou, outro objetivo é continuar "a investir na Educação desde o pré-escolar ao Ensino Superior com a particular atenção no ensino profissional", disse António Costa, que, à entrada da "Festa de Verão", tinha à sua espera elementos do Grupo de Lesados do Novo Banco/Lesados Papel Comercial e Lesados Emigrantes.

Investimento no Interior

O desenvolvimento do interior foi outro dos pontos presentes no discurso, com António Costa a lembrar as medidas já aprovadas em Conselho de Ministros para desenvolver aquela faixa do país.

"Ao contrário do que se ouve dizer, investir no interior não é só uma questão de justiça para as populações, mas é poder valorizar um ativo e pô-lo ao serviço do crescimento do país e da nossa economia", apontou o líder socialista.

Quanto à ferrovia, e depois de uma semana marcada por uma "suposta polémica" com o comboio fretado pelo PS para a festa do PS em Caminha, a resposta surgiu do líder da distrital de Viana do Castelo, que discursou antes do secretário-geral do partido, Miguel Alves:

"A direita tem medo dos comboios, quis privatizar os comboios e agora tem medo do comboio que enchemos até Caminha. É o retrato da direita que temos em Portugal, dos casos sem sentido. A luz que a direita vê ao fundo é o comboio do PS que vai levar tudo à frente", esclareceu.

E com o repto ao apelo no voto ao PS lançado pelo dirigente local, António Costa defendeu ser necessário "dar mais força" ao PS em várias mensagens.

"É preciso não haver ilusões, não há em Portugal nenhum Governo progressista sem o PS e sem que o PS tenha força para formar esse Governo", avisou Costa que disse "avaliar positivamente" o trabalho feito com os parceiros (PEV, PCP e BE).

"Eles têm sido essenciais, mas o PS é e será sempre imprescindível para que haja um Governo de esquerda em Portugal. É, por isso, necessário dar força ao PS para dar continuidade" àquelas que considerou serem "boas políticas", sem desfazer a dúvida sobre se o PS irá pedir ou não uma maioria absoluta aos eleitores.

"E, como não gosto de tabus quero deixar muito claro uma coisa, nós só temos uma meta nestas eleições: ganhar. Ganhar as europeias, ganhar as legislativas e pela primeira vez ganhar as eleições regionais na Madeira, é esta a nossa meta", disse, apenas.

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Catarina Carvalho

Arnaldo, Rui e os tuítes

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