Costa condecorou um forcado pela "sensibilidade e valentia próprios desta arte taurina"

O primeiro-ministro atribuiu a José Luís Gomes a medalha municipal de mérito, grau ouro, em 2010. Gabinete de António Costa rejeita que haja uma contradição nas suas atitudes, afirmando que a sua presença foi a título institucional

António Costa condecorou o forcado José Luís Gomes quando era presidente da Câmara Municipal de Lisboa, em abril de 2010, recorda o Público nesta terça-feira, jornal ao qual o gabinete do primeiro-ministro respondeu rejeitando as acusações de contradição.

Contudo, a deliberação da atribuição da medalha municipal de mérito, grau ouro, f​​​​​oi subscrita por Costa, que no domingo publicara no mesmo jornal uma carta aberta a Manuel Alegre, onde rejeita "a tourada como manifestação pública de uma cultura de violência ou de desfrute do sofrimento animal".

Na deliberação, que surge no Boletim Municipal publicado a 1 de outubro de 2009, cita o Público, diz-se que José Luís Gomes é "Dono de um estatuto de "Figura" no seio dos forcados portugueses, conjuga a arte e vigor, sensibilidade e valentia próprios desta arte taurina." Na mesma deliberação lê-se ainda que o nome daquele forcado "está associado de forma inequívoca à cultura taurina, à divulgação da mesma" e da cidade de Lisboa "além-fronteiras".

Na mesma carta dirigida a Manuel Alegre, o primeiro-ministro escrevia: "Choca-me que o serviço público de televisão transmita touradas. Mas não me ocorre proibir a sua transmissão."

O gabinete do primeiro-ministro afirma que António Costa esteve na cerimónia de condecoração que decorreu no Campo Pequeno a título institucional, como presidente da CML, como representante dos lisboetas, acrescentando que o atual primeiro-ministro nunca ocupou o lugar próprio no Campo Pequeno destinado à tradicional presença do autarca na primeira corrida da época.

A ministra da Cultura Graça Fonseca, recorde-se, foi criticada pelo setor da tauromaquia depois de ter afirmado, a 30 de outubro, que "a tauromaquia não é uma questão de gosto, é uma questão de civilização", confirmando que o IVA das touradas não seria reduzido. Na discussão da proposta de Orçamento de Estado, na Assembleia da República, Graça Fonseca foi várias vezes questionada sobre os critérios da sua diferenciação na redução da taxa de IVA de 13% para 6% em espetáculos artísticos.

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