Convenção do BE. O PS "vai lançar-se ao Rio?"

José Gusmão diz que o PS "já mostra sinais de arrogância e hostiliza os parceiros"

Foi uma intervenção crítica do PS do princípio ao fim. Apontando a solução política desta legislatura como um "facto novo na nossa democracia", José Gusmão, dirigente do Bloco de Esquerda, subiu ao palco da XI Convenção do partido para questionar a "natureza dessa mudança" para o PS. "Será que rompeu com as políticas de alianças com a direita?" Ou será que a geringonça foi "uma espécie de parêntesis incómodo para chegar ao poder e a que porá fim na primeira oportunidade que tiver", perguntou o bloquista, questionando se os socialistas querem manter-se alinhados à esquerda ou "lançar-se ao Rio", leia-se virar à direita.

José Gusmão sustenta que, se António Costa ainda não deu resposta a esta pergunta, Augusto Santos Silva, o "ideólogo" do governo, já se encarregou de o fazer. "A clareza de Augusto Santos Silva deve ser respeitada: o legado da terceira via de que o PS deve ser portador é inequívoco", afirmou, acrescentando que "o homem que adorava malhar na esquerda quer voltar a fazer o que mais gosta".

Para José Gusmão o PS é "um partido que já mostra sinais de arrogância e hostiliza os parceiros quando ainda tem maioria relativa", o que deixa adivinhar o que será se tiver maioria absoluta. O bloquista avançou com uma solução para isso: "Quem acha que o novo caminho só peca por escasso tem a opção de dar mais força à esquerda que impôs esse caminho". E garante que os bloquistas estão preparados para a responsabilidade: "Estamos prontos para o que é preciso, para o que é urgente, estamos prontos".

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