Comissões de Trabalhadores dos ferroviários temem pela segurança de utentes e trabalhadores

Nas conclusões de um relatório são apontados o aumento do tempo de viagem entre Lisboa e o Porto, a idade avançada dos comboios da linha de Cascais, as supressões frequentes na linha do Oeste e a redução da velocidade comercial na linha do Vouga para 30 km/h

As Comissões de Trabalhadores dos ferroviários alertaram, em comunicado, para a "gravidade" vivida no setor e afirmaram que temem pela "segurança dos utentes e trabalhadores" caso se mantenha a falta de investimento.

Em comunicado agora divulgado, as Comissões de Trabalhadores da IP -- Infraestruturas de Portugal, CP -- Comboios de Portugal, EMEF -- Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário e Medway -- Transporte e Logística "alertam para a gravidade desta situação que está a tornar o setor ferroviário num autêntico caos e temem pela segurança dos utentes e trabalhadores, se esta situação se mantiver".

Depois de criticarem o "desmembramento do setor", a "total falta de investimento" e a redução da CP "à sua ínfima capacidade", os trabalhadores exigem a "tomada urgente de medidas enérgicas para reverter este caminho".

Na lista de medidas está a "contratação imediata de trabalhadores", a "aquisição de material circulante para dar resposta à renovação da frota atual e à desejável expansão do transporte ferroviário a todo o território nacional", assim como avançar com investimento, reabrir troços e construir novas linhas para "servir toda a população e economia".

As comissões assinalaram a "degradação da ferrovia", a "falta de qualidade e quantidade da oferta de serviços" e os "frequentes descarrilamentos", que resultam das decisões de vários governos.

Quanto ao desmembramento do setor, as organizações representativas referem que a divisão da CP em outras empresas ou unidades, no âmbito de privatização ou concessão, comprometem o seu funcionamento e são a "principal causa da degradação".

Os trabalhadores garantem que, em acordo, as administrações da CP e da EMEF "esticam ao limite o intervalo entre as intervenções programadas de manutenção" dos comboios e que nenhuma análise de risco foi feita a este "uso no limite da vida útil" do material.

A falta de trabalhadores, de peças e equipamentos nas oficinas e armazéns leva a atrasos e a subcontratação a terceiros "sem garantia de qualidade da reparação efetuada", assim como a um "compasso de espera para a entrega da EMEF às multinacionais do setor".

Foi ainda criticada a "divisão contra natura" da gestão do património edificado e infraestrutura ferroviária pela IP, antes REFER, e enumerados problemas em estações, assim como os "constantes descarrilamentos na via-férrea" e "deficiente cobertura da rede de comunicações".

Os trabalhadores notaram ainda a diminuição do investimento na rede e que o "estado de degradação da infraestrutura é tal que levou a CP a reduzir a velocidade comercial em vários troços, chegando mesmo a aumentar o tempo de trajeto nos seus novos horários por questões de segurança".

No documento datado de 25 de junho, lê-se ainda que a CP vê "cada vez mais reduzida a sua capacidade de atuação, a que se junta uma preocupante descapitalização".

Nas conclusões é garantido que o tempo de viagem Lisboa - Porto é semelhante ao dos anos 70 do século XX, que os comboios da linha de Cascais têm mais de 60 anos, que os passageiros da linha do Oeste andam mais de autocarro e que na linha do Vouga a velocidade comercial é de 30 quilómetros por hora.

A Lusa pediu comentários sobre estas críticas à IP, CP e Ministério das Infraestruturas, aguardando resposta.

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