CGTP: 50 milhões de euros para 650 mil trabalhadores "não faz sentido"

Horas antes de manifestação no centro de Lisboa, Arménio Carlos foi apresentar exigências dos sindicatos aos socialistas

Horas antes de trabalhadores descerem à Avenida da Liberdade, em Lisboa, esta quinta-feira, em protesto por mais direitos e melhores salários, uma delegação da CGTP, encabeçada pelo seu secretário-geral, Arménio Carlos, foi recebida pelo presidente do grupo parlamentar do PS, Carlos César, para pedir que o Governo socialista deve ir mais além em matéria laboral e para deixar claro que a atualização salarial prevista para a função pública, "ao fim de dez anos" sem qualquer aumento, é curta.

"Uma proposta de 50 milhões de euros de atualização para 650 mil trabalhadores da administração pública não faz sentido. E faz muito menos sentido quando, ao mesmo tempo, no Orçamento do Estado se contempla uma verba de 1,6 mil milhões de euros para os fundos de resolução do setor financeiro nacional e europeu", atirou Arménio Carlos, falando aos jornalistas à saída da reunião. "Estamos perante dois pesos e duas medidas e creio que os trabalhadores da administração pública não merecem ser tratados desta maneira", apontou o líder da Intersindical.

No capítulo laboral, Arménio Carlos espera que se possa desbloquear a legislação que está no Parlamento. Mas também deixou uma nota de esperança de que os socialistas - cujo grupo parlamentar está reunido esta quinta-feira de manhã para discutir as suas propostas para o Orçamento do Estado - possam influenciar na política de rendimentos do trabalho.

"Queremos um maior investimento nos serviços públicos, nos salários e nas condições de vida dos trabalhadores. Na área dos impostos, entendemos que é necessário fazer uma atualização dos escalões de IRS no mínimo de acordo com a inflação para que os trabalhadores não tenham uma redução dos seus rendimentos", defendeu.

O líder da CGTP deixou uma crítica séria ao facto de os trabalhadores serem penalizados em detrimento daqueles que pagam rendimentos de capital. "Em Portugal, neste momento, temos os portugueses que pagam impostos de acordo com os seus rendimentos do trabalho e outros que têm um direito especial. Estes últimos, com um direito especial, declaram uma parte para o IRS relativamente aos seus rendimentos do trabalho e depois declaram rendimentos de capital à margem com uma taxa liberatória de 28%. São beneficiados e o Estado perde receita", notou.

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