César não exclui demissão do ministro da Defesa

O PS, através de Carlos César, comentou a posição do ministro da Defesa com mais recuo - em causa a acusação de envolvimento na encenação de Tancos, feita em tribunal por um dos militares detidos da PJ Militar

"Se o ministro da Defesa tiver responsabilidades nessa matéria evidentemente terá de tirar as devidas consequências." Foi assim que esta manhã Carlos César, presidente do PS, respondeu à questão de uma jornalista sobre se as consequências do caso Tancos podem passar "pela demissão do ministro da defesa.

Antes já tinha dito que "casos como os de Tancos têm de ser resolvidos e uma vez resolvidos têm de ser retiradas as respetivas consequências políticas."

As declarações foram feitas à margem das cerimónias de celebração do 5 de Outubro, no Largo do Município, em Lisboa onde todos os membros do governo e da oposição foram questionados sobre o caso do momento - ontem e hoje, o Expresso e o Jornal de Notícias trouxeram informações de que o ministro da Defesa pode ter sido avisado da encenação da entrega do material pela equipa da PJ Militar, posteriormente.

Confrontado depois com a frase de Carlos César, o próprio primeiro-ministro, António Costa, diria que: "Isso é uma verdade de La Palisse."

Antes de a cerimónia se iniciar, o chefe do Governo já havia dito que "quer o senhor ministro da Defesa Nacional, quer o tenente general Martins Pereira, que era então seu chefe de gabinete, já fizeram um desmentido absolutamente categórico de notícias que têm vindo a lume de factos que lhe teriam sido imputados". E acrescentou: "Não vejo nenhuma razão para alterar essa confiança."

Segundo informações que saíram na impresa, o ex-porta-voz da Polícia Judiciária Militar (PJM), major Vasco Brazão, terá dito ao juiz de instrução da investigação à recuperação do material militar furtado em Tancos que, no final do ano passado, e já depois de as armas terem sido recuperadas, deu conhecimento ao ministro da Defesa, através de um memorando que foi entregue ao seu chefe de gabinete, numa reunião onde esteve com o então diretor daquela polícia, da "encenação montada em conjunto com a GNR de Loulé em torno da recuperação as armas furtadas" do paiol nacional de Tancos.

Vasco Brazão - arguido no caso e agora sujeito a detenção residencial - garantiu no tribunal que entregou pessoalmente no final do ano passado um memorando com a explicação de toda a operação ao chefe de gabinete de Azeredo Lopes, acrescentando que o tenente-general Martins Pereira terá contactado telefonicamente o ministro, à frente dos dois militares da PJM, para o informar da situação.

Numa declaração ontem à Lusa, o ex-chefe de gabinete do ministro da Defesa - saiu em janeiro deste ano, admitiu que recebeu em novembro o coronel Luís Vieira (então diretor da PJM) e o major Brazão (porta-voz da PJM), mas nunca percebeu qualquer "indicação de encobrimento de eventuais culpados do furto de Tancos".

"Cumpre-me informar, em abono da minha honra e da verdade dos factos, que efetivamente recebi o sr. coronel Luís Vieira e o sr. major Brazão [porta-voz da Política Judiciária Militar, no meu gabinete, em novembro de 2017", referiu o tenente-general António Martins Pereira.

Porém, segundo acrescentou, "nessa ocasião ou em qualquer outra" não lhe "foi possível descortinar qualquer facto que indiciasse qualquer irregularidade ou indicação de encobrimento de eventuais culpados do furto de Tancos".

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