eleições europeias 2019

CDU. Geringonça não é solução ideal, mas ajudou trabalhadores

João Ferreira, cabeça de lista da CDU às eleições para o Parlamento Europeu, fez campanha no Montijo e almoçou com trabalhadores autárquicos em Palmela.

A chamada geringonça não é a solução ideal para os comunistas mas pelo menos em Palmela (Setúbal), onde o cabeça de lista da CDU às eleições europeias de dia 26 almoçou esta segunda-feira, ela é vista como um instrumento que permitiu resolver problemas dos trabalhadores e das populações.

"Não se trata de saber se [a geringonça] é para continuar, mas de encontrar soluções que satisfaçam as necessidades do país", observa José Calado Mendes, um funcionário da autarquia liderada pela CDU momentos após ouvir o cabeça de lista da coligação às europeias, João Ferreira, elencar alguns exemplos das medidas - reposição das 35 horas, recuperação de salários e das progressões de carreira - que, nos últimos quatro anos e por intervenção direta dos comunistas, resolveu alguns problemas e minorou outros.

José Calado Mendes adianta ao DN que o apoio parlamentar dos comunistas ao executivo PS criou uma "solução que veio atenuar algumas das consequências" da governação de direita nos anos da troika. "Ideal? Pode não ser, mas foi a possível", assinala este trabalhador.

Questionado sobre o impacto do processo judicial que em Setúbal opõe o PCP ao militante e ex-funcionário comunista Miguel Casanova, o qual alega ter sido despedido por se opor à geringonça, Calado Mendes responde que ele "não é uma solução definitiva para todas as situações".

"Não estamos perante um acordo de regime mas que beneficiasse o país", insiste José Mendes Calado, em voz baixa e pausada. No futuro, "tem de se ver" em concreto o que é melhor para o país e os trabalhadores.

"Três eurodeputados da CDU fazem mais que os outros 18 juntos"

João Ferreira, numa sala da Sociedade Filarmónica Palmelense e perante centena e meia de trabalhadores da autarquia comunista, defendeu a importância de todos assumirem a batalha que a CDU está a travar - de esclarecimento, informação, divulgação, mobilização - para os representantes comunistas continuarem a lutar pelos interesses do país e de setores como a agricultura, indústria ou pescas.

Evocando o trabalho dos últimos cinco anos no Parlamento Europeu, João Ferreira disse de forma categórica que "fizeram mais os três eurodeputados [comunistas] que os outros 18 juntos". Exemplos? "Em perguntas à Comissão Europeia", resultantes da sua "ligação e conhecimento dos problemas" dos portugueses que os eleitos da CDU tiveram um mandato positivo nos planos quantitativo e qualitativo.

A questão do horário de trabalho, que o governo PSD/CDS tinha aumentado para as 40 horas, também foi um exemplo em que a conjugação entre "a luta dos trabalhadores e o papel institucional da CDU" permitiu repor nas 35 horas - como também foi o caso da reposição dos salários, referiu João Ferreira.

Criticando o "vale tudo" dos outros partidos "para esconder o essencial" de terem estado "juntos nas votações" realizadas em Bruxelas e Estrasburgo, o cabeça de lista da CDU fez agitar as bandeiras verdes, azuis e algumas brancas da CDU quando deixou uma última sugestão: "Não se enganem, o voto acertado é no último quadrado" do boletim de voto.

"Os factos falam por si"

Adília Candeias, reformada, assume ao DN que a geringonça "foi o melhor que se podia ter arranjado para acabar com o o governo de direita e com os problemas associados" de cortes e redução de direitos.

"Continuar? Depende dos votos e do povo. O importante é que as pessoas continuem a votar à esquerda" nestas eleições europeias e nas próximas legislativas. Questionada sobre se o apoio parlamentar do PCP e dos Verdes ao executivo socialista nesta legislatura retirou força a esses partidos, Adília Candeias relativiza essa eventual consequência: "Não sei se prejudicou, do ponto de vista eleitoral, mas beneficiou o país e o povo. Foram claramente beneficiados."

Fernanda Pésinho, vereadora dos Verdes, também não tem dúvidas em fazer um balanço positivo da geringonça e do contributo dado pelos partidos da Coligação Democrática Unitária. "Os factos falam por si", garante ao DN.

"Quando estamos com o espírito de missão que é característico dos candidatos da CDU, o importante é o interesse dos cidadãos, dos trabalhadores, da recuperação dos seus direitos", continua a autarca.

Reconhecendo que a formação da geringonça "não é ideal", a verdade é que "podemos estar ao lado da solução e das aspirações do povo", frisa Fernanda Pésinho. E a história desta legislatura mostra que "se não estivéssemos lá não teríamos chegado tão longe", conclui.

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