Annan "foi sempre um parceiro leal, franco" de Portugal, diz Seixas da Costa

Embaixador e antigo secretário de Estado dos Assuntos Europeus evoca ação sábia e firme de Kofi Annan na afirmação das Nações Unidas.

Kofi Annan "foi sempre um parceiro leal, franco" para Portugal e "um homem de verdade nesse tempo difícil que foi a afirmação dos direitos do povo timorense", afirmou este sábado o embaixador Seixas da Costa.

Num texto publicado nas redes sociais a lamentar este "momento triste, como o são sempre os momentos da desaparição dos amigos", Francisco Seixas da Costa realçou ainda a "forte visibildiade internacional" que Kofi Annan conseguiu dar à questão de Timor.

O antigo secretário de Estado dos Assuntos Europeus português foi embaixador de Portugal junto das Nações Unidas em 2001 e recordou que Kofi Annan, cuja morte aos 80 anos foi conhecida este sábado, conduziu, "com saber mas também com firmeza, um período importante de afirmação da ONU, num tempo em que o multilateralismo pareceu ter uma oportunidade, quando a América teve Bill Clinton à sua frente".

Seguiu-se, "precisamente na altura em cheguei a Nova Iorque", a eleição de George W. Bush "e as Nações Unidas viriam a sofrer um novo abalo na sua autoridade, marcado pelo desprezo unilateralista que conduziu à invasão do Iraque", escreveu ainda Seixas da Costa.

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Patrícia Viegas

Espanha e os fantasmas da Guerra Civil

Em 2011, fazendo a cobertura das legislativas que deram ao PP de Mariano Rajoy uma maioria absoluta histórica, notei que quando perguntava a algumas pessoas do PP o que achavam do PSOE, e vice-versa, elas respondiam, referindo-se aos outros, não como socialistas ou populares, não como de esquerda ou de direita, mas como los rojos e los franquistas. E o ressentimento com que o diziam mostrava que havia algo mais em causa do que as questões quentes da atualidade (a crise económica e financeira estava no seu auge e a explosão da bolha imobiliária teve um impacto considerável). Uma questão de gerações mais velhas, com os fantasmas da Guerra Civil espanhola ainda presente, pensei.