Rui Rio: "Procurarei ao máximo adiar o espírito eleitoral"

Equipado, com chuteiras já gastas, camisola 7, pronto para o torneio de futebol da festa do Pontal, o líder do PSD garantiu que vai tentar ao máximo não antecipar o espírito" do combate eleitoral. No jogo, Rio marcou dois golos e falhou um penálti

Paula Sá
©  LEONEL DE CASTRO/GLOBAL IMAGENS

Pouco tempo antes de entrar no torneio de futebol 7, disputada no Vale Garrão, Algarve, Rui Rio garantia aos jornalistas que apesar dos desafios de 2019 tudo fará para que o combate eleitoral não seja antecipado. "Se eu defendo que as legislaturas devem ter cinco anos, passavam a ter três", disse em tom crítico."Vou procurar que assim não seja".

Quanto às críticas que lhe fizeram por ter cortado os custos na Festa do Pontal e a ter reduzido a um encontro popular, feito de jogos e um piquenique em Querença, Rio voltou a censurar os gastos excessivos de anos anteriores. Exemplificou com "o espetáculo degradante" do que aconteceu em 1995, quando o PSD no Pontal mediu forças com o PS na Pontinha. "Para ver quem tinha mais militantes", trazidos de camionetas de vários pontos do país". Defendeu que está a seguir o modelo de quando era secretário-geral do partido no consulado de Marcelo Rebelo de Sousa.

"Se isto fosse uma rentrée, eu teria uma sortie", gracejou contra a ideia de que a festa popular do PSD seja um pontapé de saída para o ano político. Defendeu que o convívio entre militantes também faz parte da "vida".

Rio prepara-se para entrarem jogo com a camisola 7, o número mágico de Cristiano Ronaldo. "Vai ser o melhor em campo?" - disparou um jornalista. "Seguramente que não", admitiu Rio. Mas no campo bem se está a esforçar para dar uma abada à equipa adversária, de membros do Conselho Estratégico Nacional, que jogam contra a da direção do partido e figuras destacadas, como o comissário europeu Carlos Moedas,

O eurodeputado Paulo Rangel, que ficou a ver o jogo, gracejou à chegada ao campo de treinos de uma unidade hoteleira de Vale Garrão: "Esta é a reconciliação do dr. Rui Rio com o futebol. O Pinto da Costa que não saiba disto". Rangel fazia assim apelo aos anos de autarca de Rio, quando entrou em guerra com o FC Porto.

No jogo, Rui Rio fez dois golos, mas a sua equipa perdeu por 7-5. O líder do PSD falhou ainda um penálti. "Fui corredor de 100 metros e para isso é preciso ter força, mas aqui o arranque já não é fácil", afirmou sobre a sua prestação.

Já na questão da Procuradora-geral da República, Joana Marques Vidal, recusa marcar golo no assunto e remete a decisão para António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa.

O torneio começou por volta das 10.00 entre quatro equipas. Pelo menos no torneio, o líder do partido jogará na posição em que o líder da distrital de Faro o gostaria de ver. Na equipa da direção, Rui Rio será médio-ofensivo, com o número 7 - o mesmo que usa Cristiano Ronaldo -, enquanto o vogal da direção Maló de Abreu será o guarda-redes, replicando a posição do seu irmão, João Maló, na Académica na década de 60.

O secretário-geral José Silvano, o líder parlamentar Fernando Negrão, o vice-presidente Morais Sarmento e os antigos governantes Miguel Poiares Maduro e Carlos Moedas fazem também parte da equipa da direção, que inclui uma mulher, a vogal da Comissão Política Nacional Cláudia André.

Destaque na equipa do Conselho Estratégico Nacional (CEN) para o "guarda-redes" David Justino, que é também vice-presidente do partido, e na dos autarcas de Salvador Malheiro, outro vice do PSD, e do presidente da concelhia e distrital do Porto, Alberto Machado.

Até o árbitro será do PSD: o deputado Rui Silva, que já jogou futebol profissional, terá a responsabilidade de arbitrar os jogos entre os dirigentes nacionais e os membros do CEN, que decorrerá em simultâneo com a disputa entre autarcas e dirigentes algarvios, disputando-se depois os jogos entre os vencedores e os derrotados de ambas as partidas.