Rui Rio desafia críticos a deixar o PSD

Para "aqueles que discordam, de forma estrutural, é mais coerente sair", disse o líder social-democrata no Bloco Central, da TSF. E convida os críticos a seguirem o exemplo de Pedro Santana Lopes

Susete Francisco
Rio convida críticos a sair© Leonardo Negrão/Global Imagens

"Aqueles que discordam, e discordam de um ponto de vista estrutural" da atual liderança do PSD deviam, em coerência, sair. Convidado do programa Bloco Central, da TSF, Rui Rio não poupa nas palavras contra aqueles que, "de forma tática", têm criticado o partido .

"Se pertenço a um partido é para colaborar. E discordar criticamente, mas de forma genuína e de forma real, não de forma tática", defende o líder social-democrata, que desafia mesmo os críticos a seguirem o exemplo de Pedro Santana Lopes, que deixou as fileiras do PSD para formar um novo partido. "Quem estruturalmente não concorda tem que ter uma atitude idêntica à que o Santana Lopes teve", afirmou Rio, sublinhando que se pode discordar da atitude de Santana ao deixar o partido, mas que "há frontalidade" na posição assumida pelo ex-primeiro-ministro, que disputou com Rio a liderança do PSD, em janeiro deste ano.

"O que já não é tão bonito é ficar cá dentro a tentar destruir o próprio partido, pelo menos conjunturalmente, enquanto for esta liderança", conclui o líder social-democrata.

As palavras de Rio já estão a provocar reações entre os sociais-democratas. José Eduardo Martins não poupou nas críticas. "É mau conselho. Já eu, apesar da miséria das sondagens, acho que todos somos poucos e que até o dr. Rui Rio faz falta", escreveu no Facebook.

Miguel Morgado, vice-presidente da bancada parlamentar na anterior direção, ainda no consulado de Pedro Passos Coelho, escreveu no twitter que "o PSD não tem donos. nem pode ser um partido de expulsões, cisões e saídas. Deve ser um partido de agregação, federação e mobilização".

Também Carlos Carreiras, presidente da Câmara de Cascais, reagiu às palavras do presidente do partido, questionando "que necessidade tem Rui Rio de permanentemente fazer bullying para com os seus companheiros de partido". "Rui Rio já discordou ESTRUTURALMENTE e em condições muito difíceis em que lideranças do PSD tiveram que salvar Portugal da bancarrota socialista e nunca ninguém o aconselhou a sair", critica o coordenador do partido nas últimas eleições autárquicas, afirmando que estas declarações são "mais um pontapé em muitos companheiros do partido".

Já depois desta publicação, Carreiras voltou à carga, sublinhando a diferença de posições entre Rio - que se recusa a falar da escolha do novo PGR antes de António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa porem a questão na mesa - e o seu secretário-geral, José Silvano, que hoje defendeu a recondução de Joana Marques Vidal como Procuradora-Geral da República.

A dissonância entre o líder do partido, o secretário-geral, e o eurodeputado Paulo Rangel - que hoje também defendeu a recondução da atual Procuradora-Geral da República, também motivou um tweet crítico do deputado Carlos Abreu Amorim.