Cavaco Silva: "Portugal precisa de mais crianças"

O antigo Presidente da República Cavaco Silva considerou hoje que o país "precisa de mais crianças" e referiu que os poderes públicos devem criar condições para que os casais tenham mais filhos.

Pedro Sousa Tavares
© NUNO ANDRÉ FERREIRA/LUSA

"Portugal não precisa de mais autoestradas. Portugal não precisa de mais pavilhões gimnodesportivos. Portugal não precisa de mais campos de futebol. Portugal precisa de mais crianças", referiu Aníbal Cavaco Silva.

Segundo o antigo Chefe de Estado, "os poderes públicos têm que criar condições para que os casais tomem a decisão de ter mais filhos".

"Isso é fundamental para a identidade do futuro do nosso país, não é com autoestradas. Não é com gimnodesportivos, não é com clubes de futebol, é sim dando força aos casais portugueses para que tragam para o nosso país mais, mais e mais crianças", afirmou.

Defender Interior

De visita a Sernancelhe, no distrito de Viseu, onde foi alvo de uma homenagem, o antigo primeiro-ministro e Presidente da República desafiou ainda os atuais titulares de cargos públicos a concretizarem as promessas de incentivo ao desenvolvimento do Interior do País.

"O interior de Portugal, a coesão territorial, tem sido uma constante, melhor, foi uma constante das minhas intervenções como Presidente da República. Voltou recentemente à agenda política. Felizmente. E é bom que aí permaneça para o futuro", referiu.

O antigo Chefe de Estado lembrou que nos anos de 1990, quando foi primeiro-ministro, foi feito "um esforço histórico para melhorar as condições" do interior do país.

Destacou a construção de vias de comunicação, a construção de importantes obras de saneamento básico, de infraestruturas educativas, sociais, desportivas e culturais.

Depois, sustentou, devia ter-se seguido o apoio ao fortalecimento da base produtiva dos concelhos do interior e, neste campo, "as autoridades públicas falharam um pouco".

"Eu espero que agora, [com] estas ideias que se têm discutido ultimamente sobre o desenvolvimento do interior, não seja apenas uma figura de retórica e que, passado algum tempo, por razões partidárias, comecem apenas a olhar para as povoações onde estão os votos e remetam o desenvolvimento do interior para as gavetas do esquecimento. Eu espero que desta vez isso não aconteça", desejou.