PCP contra voto de pesar pela morte do empresário Pedro Queiroz Pereira

Bloco de Esquerda e PEV abstiveram-se na votação do texto apresentado pelo CDS

Susete Francisco
Pedro Queiroz Pereira morreu aos 69 anos, vítima de ataque cardíaco© José Carlos Carvalho

Um voto de pesar pela morte do industrial Pedro Queiroz Pereira dividiu hoje as bancadas do Parlamento. O PCP votou contra o texto, apresentado pelo CDS-PP, enquanto Bloco de Esquerda e PEV se abstiveram. As restantes bancadas parlamentares - PS, PSD, CDS e o deputado único do PAN - votaram a favor.

O voto de pesar, apresentado e votado durante a reunião da Comissão Permanente da Assembleia da República, na tarde desta quinta-feira, aponta a "importância do legado" do empresário para a indústria e economia nacionais. "As qualidades humanas e profissionais e o espírito empresarial de Pedro Queiroz Pereira fizeram dele uma referência incontornável no meio industrial português, e o rigor com que geriu as suas empresas será sempre um exemplo único de liderança", refere o texto.

Presidente do conselho de administração das papeleiras Semapa e Navigator (ex-Portucel), Pedro Queiroz Pereira morreu a 19 de agosto último, aos 69 anos, vítima de ataque cardíaco.

A votação de hoje reproduziu integralmente a divisão que se já tinha verificado em novembro do ano passado, quando o parlamento votou uma nota de pesar pela morte de outro empresário português, Belmiro de Azevedo. Nessa altura, o PCP também votou contra, enquanto BE e PEV se abstiveram.

Durante a reunião parlamentar de hoje, outro voto de pesar - apresentado pelo PSD - também dividiu o hemiciclo. Neste caso, o texto referia-se ao senador norte-americano John McCain, falecido no final de agosto. As bancadas do PCP, BE e PEV votaram contra, enquanto PS, PSD e CDS votaram a favor. O PAN absteve-se.

"Um homem de convicções fortes e de grande frontalidade, McCain transformou-se numa figura moral do Senado e do seu partido e alguém reconhecido internacionalmente, não apenas pela sua postura na política interna americana, como também no plano externo onde procurou sempre defender os interesses fundamentais da liberdade e da democracia, discordando inclusivamente de algumas posições do seu próprio partido", refere a nota de pesar.

Numa declaração de voto, citada pela Lusa, a bancada parlamentar do PCP acusa o texto apresentado pelos sociais-democratas e "iludir o papel que, ao longo de décadas, John McCain desempenhou como arauto das guerras de agressão contra Estados soberanos e os seus povos por parte dos Estados Unidos da América".

"Se John McCain foi prisioneiro de guerra, durante a guerra do Vietname, aconteceu porque foi derrubado o avião que pilotava e procedia a um bombardeamento desse país", acrescenta a bancada comunista, referindo o uso de napalm "e outras armas químicas" por parte das tropas norte-americanas.

"O facto de que o embate que hoje divide diferentes setores da classe dirigente norte-americana tenha levado a que as cerimónias fúnebres de John McCain fossem transformadas num espetáculo mediático em nada interessa ao povo português. Nem justifica que a Assembleia da República homenageie um paladino do militarismo e da guerra, que viola os princípios da Constituição da República Portuguesa, da Carta das Nações Unidas e do Direito Internacional", sustenta ainda o PCP.

Com Lusa