Armas à solta? "Não temos dados para dizer que corresponde à verdade"

Polícia Judiciária Militar surpreendida com notícia da alegada existência de material militar ainda desaparecido dos paióis de Tancos. Militares aguardam confirmação dos novos dados do Ministério Público sobre Tancos

Manuel Carlos Freire
O chefe do Estado-Maior do Exército (em primeiro plano à esquerda) com o ministro da Defesa em Santa Margarida, para onde foi transferido parte do material guardado nos paióis de Tancos© RICARDO GRAÇA/LUSA

A instituição militar recebeu com surpresa a notícia deste sábado sobre a alegada existência de material militar ainda desaparecido dos paióis de Tancos, dizendo que cabe ao Ministério Público (MP) explicar o que sabe, disseram várias fontes ao DN.

Fonte oficial do gabinete do ministro Azeredo Lopes reafirmou a posição já expressa de que aguardam pelo resultado das investigações a cargo do MP e da PJ, escusando-se a fazer quaisquer outros comentários à notícia deste sábado do semanário Expresso.

"Não temos dados para dizer que [a listagem feita pelo MP] corresponde à verdade", afirmou uma fonte da PJM ao DN, remetendo para o MP e a PJ (enquanto titulares da investigação) e para o Exército - responsável pelos paióis e pela listagem do material - quaisquer esclarecimentos.

"A PJ precisa de tempo e esta é uma excelente motivação para prorrogar o prazo da investigação", comentou outra fonte militar, lembrando implicitamente que são os investigadores civis a ter de dar as explicações que o Presidente da República voltou a exigir este sábado.

Com várias fontes a estranharem haver uma listagem tão pormenorizada das quantidades de material que alegadamente continua desaparecido, algumas delas insistiram que cabe aos responsáveis da investigação fundamentar a informação e o porquê de, "se for verdade", terem colocado telefones da PJM sob escuta.

Note-se que os investigadores militares excluíram desde o início, ao contrário da PJ e do MP, eventuais ligações ao terrorismo - que o MP voltou a invocar no documento citado pelo Expresso - na origem do furto devido ao material furtado e, principalmente, ao que ficou nos paióis.

Outra fonte militar, lembrando que o Exército reconheceu aquando da recuperação do material furtado que faltavam as munições de 9 mm, expressou dúvidas sobre se o material que o MP diz estar desaparecido estava mesmo nas instalações de Tancos.

Certo é que o Exército é que tinha a responsabilidade pelos paióis - tendo assumido que eram deficientes os registos do que entrava e saía - e foi quem divulgou a listagem do material recuperado (incluindo o que desconhecia ter sido furtado e deu origem a uma punição disciplinar interna) e do que ainda faltava, referiram fontes da PJM.

Por isso é que o Exército e em particular o seu chefe, general Rovisco Duarte, ficam publicamente fragilizados com a informação escrita no recurso do MP citado pelo Expresso numa "notícia muito alarmante" devido à sua natureza reconheceu uma alta patente militar.